Aluna da FCT/NOVA desenvolve projeto para diagnóstico e terapia do cancro

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Até que ponto se conseguirá uma evolução científica na área da nanotecnologia para o diagnóstico e terapia do cancro? É esta a questão a que Catarina Chaparro, recentemente vencedora de uma bolsa da Liga Portuguesa Contra o Cancro, pretende dar resposta.

Catarina Chaparro, mestre em Biotecnologia pela FCT/NOVA, está a desenvolver um projeto para promover eficazmente o diagnóstico e o tratamento do cancro da mama recorrendo à nanotecnologia.

O projeto – “Development of a theranostic system for breast cancer based on superparamagnetic iron oxide nanoparticles [SPIONs]” – consiste num estudo da aplicação de nanopartículas magnéticas de óxido de ferro dentro de células de cancro, nomeadamente o da mama, a fim de se conseguir prever qual o efeito no seu tratamento e diagnóstico. Essas nanopartículas são revestidas com vários tipos de moléculas e o objetivo será analisar a interação destas moléculas no momento da aplicação, tentando então perceber “se as células de cancro recebem bem ou não estas nanopartículas”, esclarece a aluna.

O tratamento é feito com base num processo chamado hipertermia magnética, que vai fornecer calor às células de cancro que acabarão por morrer, enquanto as células ditas normais se mantêm viáveis. Já para o diagnóstico é utilizada a ressonância magnética de imagem, de forma a conseguir-se “detetar a presença de um tumor a partir da aplicação destas nanopartículas nas células.” O importante é ver o impacto destes dois procedimentos para o estudo, otimizando-os, e compreender se existem diferenças entre os vários tipos de nanopartículas revestidas na atuação, já que como afirma Catarina, “umas podem ser melhores do que outras.”

Os primeiros passos da investigação

Toda a investigação por detrás do projeto não é algo recente, remontando a 2012, à tese de doutoramento de Paula Soares, orientadora da aluna em questão. Neste caso, foram elaboradas e desenvolvidas as tais nanopartículas magnéticas de óxido de ferro, igualmente com o objetivo de serem utilizadas para a terapia e diagnóstico do cancro, mas não com a mesma finalidade daquelas que a aluna utilizou. Tratava-se de um tipo de cancro diferente, um tumor ósseo maligno, e o tipo de revestimento utilizado foi também diferente do utilizado pela mestre em Biotecnologia.

“Fiz um estudo desde a síntese, o revestimento, até à caracterização e desenvolvi um anticorpo específico para as células de cancro do osso”, aponta a investigadora de pós-doutoramento da FCT, salientando o apoio do professor Carlos Novo do IHMT que, apesar de não ser orientador de Catarina Chaparro, também fez parte da colaboração.

Este trabalho serviu de ponto de partida à tese de mestrado da aluna, que pegou em todo o estudo das nanopartículas já feito por Paula Soares, com o intuito de lhes colocar um revestimento diferente e fazer a investigação aplicada às células do cancro da mama. “Aqui fizemos uma parceria com a professora Paula Videira, que é quem fornece as células de cancro, nomeadamente as da mama, tendo também o professor João Paulo Borges como meu orientador”, clarificou Catarina.

Bolsa da Liga Portuguesa Contra o Cancro vai permitir avançar na investigação

Obtidos alguns resultados promissores, em setembro de 2017, mês em que entregou a sua tese de mestrado, Catarina Chaparro candidatou-se com o seu projeto a uma bolsa da Liga Portuguesa Contra o Cancro, candidatura da qual saiu vencedora, em janeiro deste ano. “Como já tínhamos algum trabalho realizado na área, apresentei alguns desses resultados para dar mais força à candidatura e era mesmo uma questão de tentarmos, para termos financiamento”, explica.

Agora, com este incentivo, o objetivo é avançar na investigação, aumentando a pesquisa de forma a viabilizar e otimizar tanto os ensaios de hipertermia in vitro para o tratamento, como o processo de ressonância magnética de imagem para o diagnóstico do cancro da mama.

A aluna irá candidatar-se a uma bolsa de doutoramento na área, este ano, tencionando alargar ainda mais o estudo não só em células, mas também em tecidos humanos de vários tipos de cancro, como o da bexiga, ovário, estômago ou cólon. “Vamos tentar trabalhar para conseguirmos levar o estudo mais além e até a estados pré-clínicos”, assegura Catarina.

O que se pretende nessa fase será “testar mais revestimentos e analisar outros aspetos mais significativos da aplicação das nanopartículas nas células e em tecidos”, aponta Paula Soares.

Catarina Chaparro, de 24 anos, fez todo o seu percurso académico na FCT/NOVA. Licenciou-se em Bioquímica em 2015, tendo elaborado um projeto de licenciatura novamente com nanopartículas, mas de outro tipo, em que o objetivo era o diagnóstico de tuberculose. No ano letivo 2015/2016, iniciou o mestrado em Biotecnologia, tendo entregue a sua tese em setembro de 2017.

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Sobre o/a autor/a

Desde bem pequenina, sempre que me perguntavam: "O que queres ser quando fores grande?", respondia orgulhosamente: "Veterinária (de animais)!". Sonho que, pelas circunstâncias da vida, acabou por se dissipar. Lembro-me de me sentar em frente ao meu primeiro computador e escrever histórias de príncipes e princesas, que dedicava a cada elemento da minha família. Talvez o "bichinho da escrita" tenha cá estado sempre... Ser convidada para colaborar com o jornal da escola, quando tinha apenas 13 anos, despertou-me ainda mais o gosto pela escrita. Terminar um artigo, relê-lo e sentir que tinha dado o meu melhor era a melhor sensação do mundo. Ainda hoje é assim... Hoje, estou determinada a ser jornalista e a dar sempre o melhor de mim em cada projeto com o qual me cruzar.

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