“Há mais vida além dos Tyranossauros”

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São 16 os mestres graduados em Paleontologia entre 2014 e 2017. E todos estão empregados. Qual o segredo do único mestrado na área em Portugal com um desemprego de 0%?

Criado em associação entre a Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa (FCT/NOVA) e a Universidade de Évora, o único mestrado em Paleontologia em Portugal surgiu no ano letivo 2012/2013 e os números da empregabilidade são bastante positivos.

De forma a aproveitar conhecimentos e instalações laboratoriais, as duas faculdades juntaram-se há seis anos para propor um 2º ciclo de Paleontologia. O objetivo é oferecer uma formação científica e técnica na área, que permita receber alunos de diferentes domínios do saber.

Como não existe licenciatura no ramo, o mestrado acaba por ser uma das opções para quem finaliza o 1º ciclo de estudos principalmente nos campos da biologia, geologia e arqueologia. Octávio Mateus, paleontólogo e professor na FCT/NOVA, refere que todas essas disciplinas de estudo dão aos estudantes “perfis diferentes, o que faz com que todos possam convergir posteriormente num mestrado em Paleontologia.”

Paulo Legoinha, professor auxiliar e coordenador pela FCT/NOVA do mestrado, sublinha que o curso proporciona “uma perspetiva histórica única do lugar da humanidade na natureza.”  Ao longo dos dois anos são dadas ferramentas que permitem “a compreensão da sensibilidade do sistema global a perturbações ocorridas no passado e a identificação de consequências possíveis das modificações dos ecossistemas para a sociedade humana”, explica o coordenador.

“A Paleontologia revela-se como uma ciência atual, com importância para a investigação e resolução de alguns dos problemas que mais afetam a humanidade, como as alterações climáticas ou a pesquisa e exploração de recursos naturais”, acentua Paulo Legoinha.

Que empregos há na Paleontologia?

O website da FCT/NOVA divulgou os números da empregabilidade do mestrado. Segundo os dados publicados (aqui), todos os 16 mestres em Paleontologia, graduados entre 2014 e 2017, estão empregados. De acordo com um inquérito individual direto em fevereiro de 2018, 14 (87,5%) dos mestres responderam estar a trabalhar em instituições relacionadas com a Paleontologia ou em estudos avançados e apenas dois (12,5%) em outros campos.

“Temos 100% dos nossos mestres com emprego ou a fazerem formação avançada (doutoramento), ou seja, desemprego de 0%”, destaca Octávio Mateus. “Acresce ainda que não temos alunos suficientes para os concursos que abrem, portanto ainda sentimos que o mercado pode absorver mais mestres”, indica o paleontólogo.

Paulo Legoinha garante que são necessários paleontólogos nas universidades, nos institutos e laboratórios de investigação e, ainda, nos museus de história natural. “Na indústria do petróleo, os micropaleontólogos (especialistas no estudo de microfósseis) são imprescindíveis”, assegura o coordenador.

A área da Paleontologia tem tido um papel fundamental nos geoparques e em empresas relacionadas com o turismo de natureza e o geoturismo. Uma das finalidades do curso é contribuir para a proteção e valorização socioeconómica do património paleontológico. “O país é riquíssimo em fósseis e esse é um dos pontos fortes deste mestrado”, afirma Octávio Mateus, acrescentando que “é importante que essa riqueza seja estudada por portugueses bem qualificados, tanto a nível académico, como a nível intermédio, na gestão de quadros para os municípios, para os museus, para os geoparques e para todo o tipo de equipamentos que estão a usar a Paleontologia como uma mais valia.”

O Dino Parque da Lourinhã é um desses geoparques. Segundo Paulo Legoinha, o maior museu ao ar livre do país pretende captar o interesse de futuros cientistas pela Paleontologia, representando um investimento de cerca de 4 milhões de euros (capital alemão), empregando trinta pessoas entre as quais alguns mestres formados no Mestrado em Paleontologia.

“Há mais vida além dos Tyranossauros e outros animais carnívoros, e as cadeiras eminentemente técnicas relacionadas com a Paleontologia, como preparadores e gestores de coleções, também são possibilidades”, explica Simão Mateus, ex-responsável pela curadoria da paleontologia no Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto e atual Diretor Científico do Parque dos Dinossauros da Lourinhã.

Simão Mateus, um dos 16 mestres em Paleontologia pela FCT/NOVA e a Universidade de Évora, vê a formação académica na área como uma mais valia na aquisição de competências teóricas. “Como em qualquer mestrado, a aquisição de conhecimento é importante e pode ser um fator decisivo na empregabilidade”, esclarece o investigador e irmão de Octávio Mateus.

Com um corpo docente experiente e com doutoramentos em diversas especialidades, o 2º ciclo de Paleontologia inclui 8 disciplinas obrigatórias e 2 disciplinas optativas (num total de 60 ECTS) no primeiro ano letivo. No segundo ano tem lugar uma dissertação, que visa aplicar os conhecimentos adquiridos a um caso de estudo.

Mais informações sobre o curso podem ser obtidas em:

http://sites.fct.unl.pt/paleontology

https://www.facebook.com/mpaleontologiapt/

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