SHCity: uma nova aplicação para turistas

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A aplicação, desenvolvida por dois alunos da FCT/NOVA, despertou o interesse do Parque do Monte da Lua, em Sintra, da Câmara Municipal de Cascais e da Direção Regional de Cultura do Norte.

O projeto SHCity (Smart Herritage City), do qual a FCT/NOVA é parceira, quer tornar as visitas dos turistas mais económicas temporalmente. Este projeto europeu, financiado no âmbito do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), criou uma aplicação para otimizar o tempo das visitas dos turistas aos monumentos.

Dentro de um consórcio internacional, que engloba Portugal, Espanha e França, a cidade de Ávila (Espanha) foi a escolhida como cidade-piloto. João Martins, responsável pelo projeto em Portugal, revela que a escolha de Ávila recaiu sobre o facto de ser “uma cidade completamente murada” e de ter grande parte dos principais monumentos dentro dos limites da muralha, sempre a walking distance para o turista.

Esta aplicação utiliza dados recolhidos por câmaras e sensores instalados na cidade para ajudar o turista a decidir qual a melhor opção nas suas visitas. As escolhas dos utilizadores são várias, como por exemplo a taxa de ocupação de determinado monumento, o tempo de espera nas filas de entrada, a duração média da visita ou o horário de abertura e de fecho.

Com navegação em tempo real, a aplicação permite visualizar a rota que o utilizador vai fazendo e, através dos serviços de localização por GPS, identifica também os espaços verdes, as zonas de lazer, as farmácias, os centros de saúde e os hospitais. A aplicação pode ainda sugerir caminhos pouco habituais, de forma a mostrar lados menos conhecidos das cidades, mas com potencial turístico, fornecendo a distância e o tempo. Pedro Pereira, professor do Departamento de Engenharia Eletrotécnica, acrescenta que é também possível ao turista criar o seu próprio circuito, sendo esta outra novidade que normalmente não se encontra disponível, pois “necessita de ir buscar a tal informação em tempo real”.

Na perspetiva dos gestores dos monumentos, estes podem igualmente utilizar a aplicação, mas com o objetivo de preservar os edifícios. Com a crescente pressão turística que se faz sentir em locais históricos, como é o caso de Ávila, esta aplicação pode ser um instrumento de prevenção e preservação. O gestor pode indicar na aplicação uma taxa de ocupação do monumento mais elevada do que realmente é, de forma a evitar grandes concentrações de turistas que potenciem a degradação do edifício histórico.

Poupar tempo ao turista

Segundo João Martins, “o que é de facto interessante, e é a novidade, é o turista ter o seu tempo otimizado”, em tempo real. Mário Amorim, aluno envolvido no projeto, desenvolveu “uma parte [da aplicação] que não se encontra noutras aplicações do género”, nomeadamente “a possibilidade de o turista otimizar o seu percurso de visita por seleção dos conteúdos”, disse Pedro Pereira. Ao entrar na aplicação, o turista tem a opção de escolher quais os locais que quer visitar e, com base nos dados recolhidos em tempo real, a aplicação vai fornecer a rota mais económica em termos de tempo.

Os responsáveis pelo projeto em Portugal tiveram ainda a seu cargo a base de dados que agrega todos os dados dos sensores e câmaras instalados em Ávila. Esses dados são depois usados por duas plataformas tecnológicas, sendo uma delas a aplicação para dispositivos móveis. A outra é “mais voltada para o gestor do monumento, que tem toda a   informação possível e imaginária para tomar decisões.”

Iniciado em 2016, o projeto entra agora na fase final, uma vez que a aplicação já está terminada. Os testes à aplicação começaram em maio, sendo que o objetivo é estarem finalizados até ao final de agosto, para que a aplicação possa estar disponível e funcional. Os testes serão realizados em Ávila, pelos parceiros aí presentes, que utilizarão a aplicação num contexto real. O seu feedback será enviado para Portugal, onde os envolvidos corrigirão qualquer erro que possa surgir.

A equipa portuguesa, juntamente com os parceiros internacionais, prepara-se também para dar continuidade ao projeto, mas noutra perspetiva: levar este conceito, elaborado para a cidade, aos espaços naturais. A ideia inicial presente é a de ter uma oferta mais global para quem visita não só a herança citadina (herritage city, a ideia-base do projeto), mas também a herança natural (natural herritage, possível nome do futuro projeto, inspirado no Smart Herritage City).

 

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