FCT nas linhas da inovação curricular

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A Faculdade de Ciências e Tecnologias (FCT) desenvolve, desde 2012, um novo perfil curricular. Com este projeto, a instituição pretende reformular os métodos de avaliação e dar aos seus alunos novas capacidades de autoconhecimento e de ação no mundo do trabalho. Passados quatro anos de implementação, a opinião é positiva.

“Um dia pensámos que podíamos fazer uma coisa à inglesa”, diz Jorge Lampreia, vice-diretor do conselho pedagógico, sobre o Novo Perfil Curricular da FCT. A expressão remete para o facto de se ter ido buscar ideias ao modelo de ensino inglês. Este novo projeto está em vigor desde 2012 e procura diferenciar os estudantes no mercado de trabalho, através da criação de quatro novas unidades curriculares (u.c.) de frequência obrigatória para todos os cursos.

A cada ano corresponde, respetivamente, uma nova área de estudo que promove diversas temáticas como é o caso das Competências Transversais das Ciências e Tecnologia (CTCT) ; Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS); Introdução à Investigação Científica / Introdução à Prática Profissional (PICC/PIPP); e por fim o Empreendedorismo.

Nelson Martins, professor do departamento de matemática e um dos responsáveis por CTCT e PIPP, sublinha que “a ideia é utilizar o período intercalar [cinco semanas entre o primeiro e o segundo semestre]para meter os alunos em contacto com estas competências complementares”, e refere, em tom de satisfação, que “nunca se vê a faculdade tão cheia como nessa altura”, o que promove um ambiente diferente do habitual.

Cinco semanas para aprender a escrever um CV e a trabalhar com o Excel

“Os alunos são alertados para uma remessa de questões que eles próprios nunca tinham pensado”, refere Nelson Martins, que desta forma apresenta CTCT como a primeira u.c. de caráter geral, ou seja, que se afasta das temáticas tratadas nas diferentes licenciaturas: “A ideia é potenciar os nossos alunos com ferramentas para que, depois de acabarem o curso, consigam ter mais facilidade a conseguir os seus objetivos”.

Bernardo Martins, aluno do terceiro ano de engenharia do ambiente, que acaba agora de voltar de um estágio de cinco semanas numa empresa, descreve a sua anterior experiência em CTCT referindo que esta u.c. “ajuda a desempenhar algumas tarefas no estágio, como é o caso do trabalho com o Excel, organização de horários, comportamento na pré-entrevista e elaboração do CV”.

Para Gracinda Rodrigues, professora do departamento de matemática, e pela primeira vez este ano também docente de CTCT, o feedback da sua experiência é positivo, indo ao encontro daquilo que é a opinião geral dos cerca de 1100 alunos que frequentaram as aulas entre janeiro e fevereiro: “Os alunos retiram bastante destas aprendizagens. O que para nós parece senso comum, para os alunos é algo sobre o qual nunca tinham pensado”.

Uma mistura de ciências humanas com as ciências exatas

Sobre a unidade curricular de Ciência, Tecnologia e Sociedade, Jorge Lampreia refere que esta foi recuperada de uma estratégia pedagógica que era transversal a todas as faculdades da Universidade Nova: “No início da UNL não seria previsto ela funcionar em unidades orgânicas e havia unidades curriculares transversais a todos os cursos da universidade: introdução ao pensamento contemporâneo, por exemplo”.

Maria Teixeira, aluna do segundo ano de engenharia do ambiente, conta um pouco da sua experiência na unidade curricular, apontando os pontos positivos e os menos positivos: “Foi bastante produtivo, porque tivemos noção do quanto a tecnologia influencia tanto o nosso presente como o nosso futuro. O único ponto negativo foi a falta de interação entre os alunos da turma e também com o professor, o que pode ter sido a razão para alguns alunos se dispersarem do que essencialmente interessava”.

A investigação e o mundo empresarial

No terceiro ano há um período de cinco de semanas onde os alunos se inserem num Programa de Introdução à Prática Profissional ou num Programa de Introdução à Prática Científica. “Quem quer ir para a prática científica fica a trabalhar nos laboratórios desta ou de outra faculdade e os que querem a parte mais técnica e prática vai para empresas fazer um estágio curricular”, explica Jorge Lampreia sobre esta u.c.

Bernardo Martins conta a sua experiência no estágio que acabou de concluir numa empresa pública de águas residuais: “Ao desempenhar certas tarefas temos uma noção do que, com o nosso curso, podemos fazer no futuro. Quanto melhor for a empresa e quanto melhor for a nossa prestação no estágio, mais perspetivas de futuro profissional teremos”. Desta forma, a FCT possibilita um estágio curricular a todos os seus alunos, contrariando a tendência de muitas faculdades portuguesas, que gradualmente têm extinguido os estágios dos seus planos curriculares.

Promover a criatividade e inovação

A maior faculdade da Universidade Nova criou também uma unidade curricular onde o intuito é o desenvolvimento de uma ideia, geralmente proveniente da área científica, tendo em atenção todas os conceitos de gestão e economia essenciais para o sucesso de um negócio. Com entusiasmo, Jorge Lampreia sublinha a importância da inclusão do Empreendedorismo no Novo Perfil Curricular, referindo que os alunos são inseridos num clima de pressão que simula o ambiente empresarial.

“Recomendaria este projeto às outras faculdades da Nova para possibilitar os alunos a darem os primeiros passos na criação e desenvolvimento de ideias próprias”, diz Marta Silva, aluna do quarto ano de matemática, sobre a importância do empreendedorismo.

Com este método curricular, que está a ser desenvolvido na FCT/NOVA desde 2012, há uma maior taxa de alunos que passam à primeira nas unidades curriculares, e as médias de passagem também aumentaram, remata Jorge Lampreia justificando o sucesso deste projeto pioneiro.

Alunos Monitores           

A instituição permite aos alunos do quinto ano participarem como monitores nas u.c. dos outros anos, através do estabelecimento de um contrato com todos esses estudantes, que assim são remunerados no final da sua participação.

 

FCT em números

A Faculdade de Ciências e Tecnologia é a maior, em tamanho e número de alunos, no universo da Universidade Nova de Lisboa. Conta com cerca de 8000 alunos e tem 82 ciclos de estudo, 14 departamentos e 16 Centros de Investigação.

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Sobre o/a autor/a

Finalista do curso de Ciências da Comunicação - vertente de jornalismo. Curiosidade, proatividade, prazer, dedicação. Quatro estados-de-ser que juntos produzem, a meu ver, um bom profissional de comunicação. Sim, porque não basta ser curioso ou proativo se depois o trabalho desempenhado não nos dá prazer e diminui a nossa dedicação. Na nova Era digital, muitas mudanças estão a suceder-se e desejo acompanhá-las de perto e tentar adaptar o jornalismo ao mundo das multi-plataformas, bem como evitar a "morte" de qualquer plataforma de transmissão jornalística.

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