Grupo de Teatro da NOVA prepara “O Percevejo”

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O Grupo de Teatro da NOVA é uma companhia estudantil associada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Nova, fundada em 1990. Na reta final de todos os anos letivos no âmbito do festival de teatro a nível universitário em Lisboa, apresentam uma peça ao público. A peça deste ano é “O Percevejo” de Maiakóvsky e ainda está a ser preparada.

É segunda-feira à noite, e o que durante o dia é apenas um dos pisos de estacionamento da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Nova ganha vida. O Grupo de Teatro da Universidade Nova reúne-se, às segundas e quartas, de modo a preparar a peça a apresentar na reta final deste ano letivo.

No piso -4, local onde a luminosidade é bastante reduzida, o ambiente é de descontração e boa disposição. Enquanto aguardam a chegada da encenadora, os atores, conversam entre si. Em seguida, preparam-se para uma série de exercícios de voz e aquecimento dos braços.

Apesar de ser um grupo confinado à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e de lá ensaiarem, alunos de todas as outras faculdades da Universidade Nova podem integrar o Grupo de Teatro. No entanto, não se restringe a esse conjunto de faculdades, existindo membros de fora. “Tive conhecimento da existência do Grupo de Teatro através de outras pessoas que me falaram dele”, afirma Wilson Ledo. Henrique Laurentino, por outro lado, teve conhecimento “através da irmã que já andou na faculdade”.

Entretanto, a encenadora Marina Albuquerque, rosto conhecido da ficção nacional, chega ao local do ensaio. Assim que chega, os atores agrupam-se para ouvirem o que tem a dizer e em seguida ordena que os elementos que constituem a peça, vão buscar os materiais necessários à representação das diferentes cenas.
Além de cadeiras para esse fim, vão também buscar umas para que quando fora de cena e à espera de entrarem em ação, os atores possam sentar-se enquanto reveem o guião para estarem devidamente preparados. “Na NOVA temos desenvolvido um trabalho interessante e o grupo tem crescido tanto em número de atores como também em visibilidade”, reitera Marina acerca do Grupo de Teatro da Nova.

Sendo um grupo de teatro universitário, os membros constituintes são jovens e a encenadora, em relação a isso, afirma: “Orientar jovens é sempre bom, claro que é mais fácil quando já têm algumas noções teatrais, já contactaram com o teatro e tiveram alguma experiência mas é interessante trabalhar com alunos que nunca fizeram ou tiveram contacto com o teatro”.

Após terem posto tudo no seu devido lugar, os autores colocam-se nas posições já previamente estabelecidas e logo após ter-lhes sido dada a ordem para começar, encarnam as personagens que lhes couberam individualmente.

Começam então a ensaiar a primeira cena. Para além de uma ou outra repreenda e correção por parte da encenadora, os atores parecem já dominar bem a cena, encarando com naturalidade os seus papéis e respetivas falas. Depois de ensaiarem a primeira cena, os atores fazem uma curta pausa. Aproveitam para rever o guião, falar uns com os outros e assim, de certa forma, também relaxam.

“Os ensaios do Grupo de Teatro são como uma lufada de ar fresco”, começa por dizer João Vasco. Ele que é um dos novos elementos do Grupo este ano, prossegue afirmando que quando desce para o -4, “tudo o que faz parte de mim e do meu quotidiano, ficam de parte e encarno uma personagem totalmente diferente, não havendo nada que me ocupe a mente, focando-me apenas na peça e no teatro”.

Após a curta pausa, retomam o ensaio. Na segunda e nas cenas que naturalmente lhe seguem, apesar de uma ou outra ter sido passada à frente devido à falta de elementos da peça, a encenadora é mais rígida do que na primeira cena. Esta exige mais dos atores para que a representação da cena esteja no ponto, orientando-os e aconselhando-os de forma a poderem melhorar.

São 23h, estão a trabalhar desde as 20h30m e a encenadora dá o ensaio por terminado. Pede que arrumem tudo e mesmo cansados, os atores assim o fazem, levam tudo o que haviam retirado da sala de arrumações. Aos poucos tudo fica como quando chegaram. Os atores vão assim embora, cada um para o seu destino.

De salientar que a fase de ensaios da peça, que é o projeto deste ano letivo, “O Percevejo” de Maiakóvsky, como reitera a encenadora, ainda vai numa fase inicial. “O trabalho no GTN começa por uma primeira fase em Novembro, com a criação do grupo, altura em que são efetuados exercícios teatrais e de sensibilização para com técnicas de ator para depois escolher uma peça em Janeiro ou Fevereiro que vamos montando para depois estrear em Maio”, explica Marina.

Ainda que não haja informação definitiva, a peça deverá estar em cena de 3 a 8 de Maio no Teatro do Bairro, às 21h30m durante a semana, e aos domingos às 16h30m. “É uma comédia futurista, um espetáculo muito interessante, mas ao mesmo tempo, uma peça visionária”, explica Marina. “Foi escrita nos anos 20, o autor acaba por imaginar como é o futuro e a peça resulta numa reflexão sobre o que pode ser o socialismo”.

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Sobre o/a autor/a

Estudante de Ciências da Comunicação na FCSH/NOVA. Natural da Madeira, amante da escrita. Persegue o sonho de um dia vir a ser jornalista.

1 comentário

  1. Uma exposição incrível, verdadeira e muito humilde de tudo aquilo que entra em cena a partir do momento que se entra em cena no -4 da faculdade. Sendo suspeito porque sou membro do GTN e adoro teatro, tenho a dizer que isto está muito bom, super interessante e muito importante também para a visibilidade do próprio grupo!! Muitos Parabéns mais uma vez André!!!

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