Starters Academy. Onde as ideias podem virar negócio

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A Starters Academy é um curso de empreendedorismo que pretende dar aos alunos as ferramentas necessárias para criarem uma startup e, posteriormente, concorrerem à Nova Idea Competition.

Uma ideia. Tudo parte de uma simples ideia. Os ponteiros do relógio ainda não marcam as seis da tarde e os pingos de chuva levam os alunos a correr para se abrigarem dentro do edifício. A azáfama instala-se uma vez mais no hall de entrada da reitoria da Universidade Nova de Lisboa. Preparados para a segunda sessão da sexta edição da Starters Academy, cerca de 40 alunos esperam impacientes para aquela que será a oportunidade de verem uma ideia sua ser concretizada.

Os desejos e aspirações dos alunos são muitos e, no início, nada os impede de voar mais alto. “Uma das ideias era fazer um sistema de cartão postal personalizado. Uma aplicação onde pudessem tirar uma selfie com alguns templates sobre Lisboa e poderem enviar para todo o mundo”, afirma entusiasmada Camila, aluna de mestrado de Comunicação Estratégica, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.

Vindos da outra margem do Tejo, Margarida e Pedro, estudantes de engenharia biomédica na Faculdade de Ciências e Tecnologia, puxam a brasa à sua sardinha para colmatar a “lacuna que existe entre o paciente e os farmacêutico”. Pedro quer facilitar a comunicação, e uma aplicação é a maneira mais fácil de chegar a toda a gente. São tudo ideias e projetos que fluem mesmo antes de entrarem na sala onde decorrerá mais uma sessão da Starters.

Não são apenas as diferentes faculdades que se juntam neste intercâmbio de ideias, também as nacionalidades parecem não constituir um problema. Azerbeijão, Tunísia, Brasil, Itália, Rússia ou Suíça são apenas alguns países de onde provêm muitos dos alunos inscritos. O curso é desenhado para estimular o espírito empreededor e complementar a formação académica, criando uma ponte de aprendizagem profissional, que lhes permite crescer enquanto alunos e, em simultâneo, formar os profissionais do futuro. Algo que é o que David Pinto, estudante de engenharia mecânica na FCT, mais deseja: “Na faculdade, estamos muito programados para o modelo em que temos que ir trabalhar para alguém e acho que isto é uma boa oportunidade para aprendermos a ser os nossos próprios chefes”.

A Universidade Nova dispõe de mecanismos de impulso à inovação cujo alicerce é o Conselho de Empreendedorismo, presidido por Charles Buchanan. O grande objetivo é “partilhar conhecimento sobre empreendedorismo e reforçar o ensino do mesmo na NOVA”, afirma Charles que, nos intervalos de cada sessão da SA, gosta de conviver com os alunos e “saber o que querem fazer, as ideias que têm”.

 O Conselho é uma estrutura que pretende a integração das nove unidades orgânicas da Nova, que cooperam na tomada de decisões relativamente a atividades de empreendedorismo, assegurando o envolvimento de toda a universidade e a existência de um verdadeiro trabalho multidisciplinar.  A tomar conta do Gabinete de Empreendedorismo da NOVA está Lara Ligeiro, que se divide entre outros projetos, mas admite que a Starters Academy é o que lhe dá mais prazer. “O objetivo é que os alunos da SA tenham as competências necessárias para competir na Nova Idea Competition, onde serão apresentadas as melhores dez ideias, com um painel de investidores e um júri”, relata Lara antes de começar a aula do professor Pedro Neves.

Todo o curso é feito em trabalho de grupo onde os alunos desenvolvem uma ideia, um plano de negócios com tudo o que vão aprendendo para depois apresentarem um sumário executivo e, posteriormente, concorrerem à Nova Idea Competition. A NIC é um concurso de plano de negócios, aberto também a toda a universidade, mas “o ideal será que os alunos da Starters Academy tenham desenvolvido competências para estarem entre os finalistas”, reafirma a responsável do gabinete.

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Durante os últimos cinco anos, assistiu-se a um crecimento exponencial do número de startups em Portugal. A atmosfera empreendedora que paira no ar há algum tempo tem levado muitas empresas portuguesas ao mercado global, como é o caso da H3, um exemplo concreto dado por Pedro Neves, o professor responsável pela segunda sessão da SA. O professor de empreendedorismo e comportamento organizacional admite que este ambiente inovador “é uma combinação da evolução natural e cultural, principalmente de Lisboa, e da própria conjuntura do país”.

Uma das soluções para ajudar as pessoas a superar o desemprego e a própria crise foi precisamente a criação de negócios próprios, e Lisboa foi o berço desse impulso. “Quando comecei a dar aulas, as incubadoras e aceleradoras estavam no início e, hoje, são bastante sólidas. É muito interessante ver como ao longo desde últimos anos passámos de ‘nós achamos que podemos ser’ para ‘ nós já somos e conseguimos crescer ainda mais’ e roubar a liderança a outros hubs na Europa”, afirma Pedro Neves, que não está surpreendido pelo hub em que Lisboa se tornou.

Neste sentido, foi recentemente criada pelo governo a StartUp Portugal, um projeto que permite alargar a rede de startups e abrir o ecossistema empreendedor a todo o país. O foco está novamente posto nos jovens recém-licenciados e capazes de transformarem ideias num negócio, pois segundo Pedro “não haverá altura melhor para iniciarem o seu projeto do que agora que é a altura ideal para falhar, arriscar, aprender e tentar de novo”.

Sucesso que nasceu na Nova

Saiu vencedora do Nova Idea Competition 2015, Ksenia Ashrafullina criou uma aplicação que pretende reunir eventos culturais em todo o mundo. A EUNIC (European Union National Institutes for Culture) App tem sede em Lisboa e leva as pessoas mais longe, a explorar o desconhecido e, simultaneamente, a promover a cultura dentro e fora da União Europeia. Eventos culturais à distância de um clique e presentes em 30 cidades, onde, afirma Ksenia, “é importante fazer a curadoria do conteúdo, trabalhar diretamente com os institutos culturais e ouvir as pessoas, saber a opinião delas sobre os sítios onde querem ir”. Mais uma vez tudo passa pela tecnologia e pelo fácil acesso a tudo através do telemóvel, pois “a maior parte das agendas são em papel ou têm um website, ou seja, não são mobile friendly e então a pessoa não pode estar na rua com os amigos e decidir o que vão fazer na hora”, frisa a jovem empreendedora.

Com uma história diferente de Ksenia, Bo Irik e a sua irmã, Femke, apaixonaram-se desde cedo por Portugal, onde estão desde  tenra idade. Mudaram-se da Holanda para Lagos e os trabalhos de verão enquanto jovens, num operador marítimo, foram a raíz do seu projeto. “Vendíamos bilhetes para os turistas irem fazer observação de golfinhos e vimos que o turista só podia fazer a compra no destino e a angariação de informação é chata, pois não há um sitio único onde toda a informação esteja disponível”, explica Bo, enquanto falava entusiasmada sobre a SeaBookings.

A Seabookings é um marketplace online que agrega as várias atividades relacionadas com o mar, ou seja, Bo e a irmã fazem “a ponte entre o operador e o turista”. A empresa integrou o Nova Idea Competition, depois de Femke ter ingressado na Starters Academy (denominada anteriormente de One Academy). “Uma das consequências desta onda de empreendedorismo foi precisamente o facto de as universidades apostarem mais nisso, e foi o que a Nova fez- ajudou a nossa ideia a concretizar-se”, conclui Bo, com um sorriso estampado na face.

Para os que agora ingressaram na Starters e sonham alcançar este patamar, Bo diz que os alunos têm que “ter perfeita noção de qual é o problema que vão resolver, porque sem um problema não vai haver procura para a suposta solução”.

 

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