Estudante e campeão nacional de dança

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Um aluno de Ciências de Comunicação da NOVA distingue-se dos seus colegas pela excelência no mundo das danças de salão. Fomos assistir a um treino e, dois dias depois, Bernardo regressou a Lisboa com título de Campeão Nacional Pré Open Latinas.

O pavilhão é frio, impessoal e está numa zona pouco amigável. São nove da noite, o treino dos juvenis está quase a acabar e os mais crescidos começam a tornar o ambiente do clube mais harmonioso.

O Clube Desportivo e Recreativo do Fogueteiro (CDRF) conta com 80 atletas de danças de salão, num leque de idades que vai dos quatro aos 73 anos. No entanto, a partir dos 13 anos todos treinam por igual. Começam com uma corrida ao som de música na tentativa de tirar o frio do corpo.

Entretanto, os pares são divididos por heats (grupos de pares que distinguem o nível de dança bem como o estilo) e colocam-se em posição para inaugurar a pista assim que a música começa a ecoar. O treino está programado para ser uma simulação do campeonato nacional que se aproxima. É nesta altura que os melhores atletas se destacam, uma vez que o primeiro par a começar a dançar recebe todas as atenções do júri.

Bernardo Pereira Venceslau, aluno de Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e detentor de vários títulos nacionais e internacionais, entrega-se a cada treino como se fosse, sempre, uma competição: “Dançar é uma sensação de liberdade, é um escape da vida”. Para além de disfrutar de cada momento dentro da pista de dança, Bernardo sabe que está em desvantagem perante os seus adversários por ter entrado tão tarde neste mundo.

Com uma diferença de cerca de cinco anos para o que é normal no início deste percurso, o atleta do CDRF trabalha quase diariamente com bastante afinco para estar em constante evolução e melhoramento. “O investimento não é só monetário, é preciso tempo, principalmente para consolidar as informações dos nossos treinadores ou de outros, para que o corpo, no momento da competição, esteja preparado para dançar sem pensar no que está a fazer”. Este trabalho passa por treinos técnicos que rondam as 10 horas semanais com o resto dos atletas do CDRF, ou individuais com dançarinos de renome a nível internacional.

Por outro lado, existe ainda uma grande preparação física, exigida pelos treinadores Edgar Branco e Milene Matias, considerados um dos melhores pares que Portugal já viu nas danças de salão. Para Edgar, o mais importante num atleta para se sagrar campeão nacional “é o trabalho, sem dúvida” apesar de o “talento facilitar o caminho”. Milene destaca, ao longo do treino que antecipa o campeonato nacional, que a dedicação, concentração e a força psicológica são essenciais para um verdadeiro campeão.

Bernardo Venceslau realça que “o importante é ser-se especial” naquilo que se faz, de maneira a que um dançarino se torne diferente dos restantes dando o seu cunho pessoal à dança. Contudo, a maior parte dos fatores que decidem o campeão nacional nas três modalidades de danças de salão – standard, latinas e 10 danças –, o próprio dançarino não controla. Segundo o atleta do CDRF, “o dançarino não escolhe o júri que o avalia”, “se o chão está escorregadio” ou até mesmo “a temperatura do pavilhão”.

“A avaliação não pode ser imparcial”, reclama Venceslau. É no tema dos jurados que surgem mais contestações. É totalmente possível, neste mundo tão agitado, que algum júri seja “treinador do par que está a ser avaliado” e, portanto, “procurará apenas os aspetos positivos da dança, e nunca os negativos”. Para além desta parcialidade ainda surge a temática das preferências de cada jurado, dado que enquanto um “pode dar primazia à técnica”, outro poderá preferir “a musicalidade e a apresentação”.

Não obstante todas estas influências na grande decisão, Bernardo cumpre à risca o que Milene diz aos atletas no último treino antes da competição – “transcendam-se e superem-se aqui” – e não sossega um único segundo, seja dentro ou fora da pista.

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Sobre o/a autor/a

Carolina Couto

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