A Zumba chegou à faculdade

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O que durante o dia é uma sala de aula na Faculdade de Ciências Médicas transforma-se, às quartas-feiras à tarde, num estúdio de Zumba.

“Aqui o objectivo é divertir e promover o exercício físico”, afirma Inês Santarino. Investigadora do CEDOC e sempre ligada à área das ciências, nunca pensou em ser instrutora de zumba. Tudo começou com um flashmob da comunidade de investigadores. “Todos acharam muita piada e disseram: porque é que não dás umas aulinhas? Eu não levei aquilo muito a sério”.

No entanto, após muita insistência por parte dos colegas, Inês decidiu que seria uma boa iniciativa se pudesse juntar o centro de investigação e os alunos da Faculdade de Ciências Médicas, promovendo o convívio dentro da comunidade e a prática de exercício físico e um estilo de vida saudável. “Uma vez que nós somos todos um, vi que a coisa podia resultar, então decidi tirar o curso e propor isso à faculdade”, conta Inês.

Quem olha para a sala não diz que ao fim do dia se transforma num espaço de diversão cheio de música e dança. “Foi a melhor sala que nos arranjaram, porque ao menos já tem sistema de som”, diz a instrutora. As aulas ocorrem todas as quartas-feiras das 18h30 às 19h30 e estão a abertas a toda a faculdade.

Chegam as primeiras alunas, são colegas de Inês no CEDOC e estão muito entusiasmadas para fazer a aula. “Isto é uma diversão, eu gosto e sou daquelas que não gosta de nada”, afirma Margarida Correira, de 29 anos. Já Tatiana Burrinha, de 25 anos, salienta a boa disposição e dedicação da instrutora tanto dentro das aulas como fora: “Ela vai sair à noite connosco e dá aulas no meio da discoteca, até vai para o palco e tudo. Por isso isto é bom, podemos adaptar os moves para as saídas”.

O som da música com um ritmo latino indica que a aula está a começar. Os primeiros passos são dados com alguma timidez por parte das participantes, mas a motivação da professora rapidamente as põe à vontade.
A zumba é uma dança latina com origens na Colômbia na década de 90, mas nos últimos anos tem cativado a atenção e o interesse de muitas pessoas. Nesta modalidade não é costume o instrutor dar indicações sobre os passos e movimentos, apenas incentivos. “É suposto as pessoas sentirem e conseguirem perceber as tuas expressões e movimentos. Nós não devemos falar, só mesmo para incentivar. Mas eu falo, adoro falar”, explica Inês.

O som das palmas é recorrente, tanto no fim de cada música como dentro da coreografia, o que demonstra o entusiasmo existente na aula. “Tu és uma ótima professora aqui para a minha cabeça” – diz Margarida Correira à instrutora num momento de descanso. Alguns movimentos são mais elaborados que outros, uns mais rápidos, outros mais lentos, mas o zumba é um desporto em que não se tem de saber dançar e pode ser praticado por todas as idades. “Não é uma coisa em que tenhas de estar com uma excelente forma física”, afirma Tatiana Burrinho, investigadora no CEDOC.

À medida que a aula chega ao fim, os movimentos já não são estranhos e a diversão e confiança aumentam, o que se nota no desempenho das participantes. O ritmo acelerado das músicas faz com que o cansaço já esteja presente na cara das estudantes e investigadoras, que não param. “Isto é muito mais divertido que cansativo”, afirma Ana Cláudia Pedro, de 19 anos, estudande de Medicina.

As aulas na Faculdade de Ciências Médicas são, para algumas participantes, uma alternativa ao ginásio, pois torna-se mais cómodo devido às deslocações. É também uma opção mais económica. “Também já tive aulas no ginásio e gostei mais destas aqui na faculdade”, afirma Mariana Neto, de 20 anos e estudante de medicina. “Também para poupar dinheiro pensei vir para aqui”.

As aulas são também uma forma de praticar exercício físico e ao mesmo tempo conviver e conhecer mais pessoas da faculdade. “É isso que diz o meu cartaz. Junte-se à festa e fique em forma”, afirma Inês Santarino.
A música mais lenta e os alongamentos são o sinal de que a aula chegou ao fim. Quanto ao futuro do projeto, a investigadora e instrutora espera que as aulas de zumba despertem a atenção da comunidade e que tenham muito sucesso: “Vamos lá ver se vai correr bem. Foi um parto longo”.

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Sobre o/a autor/a

Catarina Figueiredo de Jesus adora fotografia. Está actualmente a licenciar-se em ciências da comunicação na FCSH e ambiciona estar ligada ao mundo do marketing e publicidade. É apaixonada por moda e gostaria de ter uma carreira que lhe permitisse juntar tudo o que mais gosta, fotografia, moda e viagens.

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