Investigadores da FCT/NOVA alertam para possível extinção da dourada

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Novo estudo conclui que a dourada, um dos peixes mais consumidos pelos portugueses, pode desaparecer até 2100, devido ao aquecimento e acidificação global das águas.

Investigadores da FCT/NOVA alertam para a possível extinção da Sparus aurata, vulgarmente conhecida como dourada, num artigo publicado em dezembro de 2015 na revista científica Ecological Indicators. Se a captura não diminuir e não forem adotados modelos mais ecológicos de gestão dos stocks, esta espécie pode mesmo desaparecer até 2100.

As douradas, peixes muito consumidos no Sul da Europa, foram sujeitas, em laboratório, a várias mudanças de temperatura para avaliar a sua resposta às alterações climáticas, explica Mário Diniz, professor da FCT/NOVA e um dos responsáveis do estudo desenvolvido no centro de investigação Requimte do departamento de Química desta faculdade. O aquecimento e a oxidação das águas foram variáveis centrais nesta pesquisa, dado que vários estudos europeus prevêem o aquecimento das águas da costa portuguesa entre os 2ºC e os 4ºC nas próximas décadas, esclarece o investigador.

Este estudo, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia,  conclui que, com o aquecimento das águas, as larvas de dourada têm uma menor probabilidade de sobreviver e, mesmo sobrevivendo, muitas poderão desenvolver problemas ao nível dos órgãos vitais como o coração e o fígado. “Se existir uma grande mortalidade na fase larvar, na qual o animal atinge a maturidade para se reproduzir,  as outras fases são comprometidas e chegarão menos indivíduos à fase adulta”, elucida. Como é também nessa fase que as douradas são capturadas para consumo,  “haverá uma menor continuidade da espécie”, conclui.

O centro de investigação Requimte dedica-se desde 2010 ao estudo da continuidade de várias espécies marinhas. Mário Diniz sublinha que a sardinha e as gambas, presentes no top 20 das mais consumidas, são menos tolerantes aos aumentos de temperatura global e às sucessivas ondas de calor quando comparadas com a dourada, pelo que estas e muitas outras espécies poderão estar também em perigo de extinção.

Se ao aumento da temperatura for somada a acidificação das águas e a consequente diminuição do PH em 0.5 pontos, como consequência das emissões de dióxido de carbono, podem ser esperados efeitos mais severos nas espécies pescadas na costa portuguesa.  “Quanto à inevitabilidade do aumento da temperatura e da acidificação das águas, este é um tema controverso na comunidade científica, pois há quem afirme que ainda pode ser evitável se adotarmos desde já outros hábitos de proteção ambiental, enquanto outros estudos indicam que não há retrocesso possível”, remata Mário Diniz,  mostrando-se, no entanto, otimista quanto a novas soluções que previnam a redução ou mesmo a extinção destes peixes comuns à mesa dos portugueses.

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Sobre o/a autor/a

Finalista do curso de Ciências da Comunicação - vertente de jornalismo. Curiosidade, proatividade, prazer, dedicação. Quatro estados-de-ser que juntos produzem, a meu ver, um bom profissional de comunicação. Sim, porque não basta ser curioso ou proativo se depois o trabalho desempenhado não nos dá prazer e diminui a nossa dedicação. Na nova Era digital, muitas mudanças estão a suceder-se e desejo acompanhá-las de perto e tentar adaptar o jornalismo ao mundo das multi-plataformas, bem como evitar a "morte" de qualquer plataforma de transmissão jornalística.

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