MosquitoWeb – Um projecto para todos

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O Instituto de Higiene e Medicina Tropical lançou há exactamente dois anos o MosquitoWeb, um projecto que pede a colaboração de toda a população residente em Portugal para recolher e analisar o maior número de mosquitos possível.

Na Rua da Junqueira, em Lisboa, Maria Teresa Novo está no seu laboratório a trabalhar no MosquitoWeb. “Foi lançado no dia 25 de Abril de 2014, que é o dia internacional de luta contra a malária, e surgiu em função das atuais alterações à distribuição de espécies de mosquitos. Algumas delas totalmente invasoras em certas regiões e com uma elevada importância na medicina humana”, diz a professora auxiliar da unidade de parasitologia médica do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT).

O projecto tem como objectivo detectar espécies invasoras de mosquitos em Portugal, perceber se existe uma maior intensidade das espécies e investigar as movimentações de mosquitos dentro do nosso país. Para isso, os investigadores pedem à população que capture e envie gratuitamente os mosquitos para o IHMT. “Não se enviam mosquitos com vida, isso é altamente perigoso. As pessoas devem apanhá-los, utilizando um recipiente, idealmente transparente, para não fazer sombra e os assustar”, explica Maria Tersa Novo. Depois de terem o mosquito lá dentro, “devem tapar a entrada do recipiente com um elástico ou um nó e assim que possível pô-lo no congelador durante pelo menos uma hora”. Há um víde13059632_10206740507699499_1531264518_no no site do projecto que explica melhor este processo.

Após a captura dos mosquitos, as pessoas têm que entrar no site do MosquitoWeb e responder a algumas questões sobre o local em que foi apanhado. Depois é gerado um autocolante com a morada do Instituto para que o mosquito possa ser enviado gratuitamente por correio, e um código que permite à equipa chegar à origem do exemplar.

Os mosquitos em território português

Portugal, em termos climáticos, é um território favorável para os mosquitos se instalarem, especialmente duas espécies, o Aedes albopictus, também conhecido por mosquito tigre, e o Aedes aegypti, conhecido por mosquito-da-dengue. “O Aedes albopictus neste momento encontra-se no território da Europa continental, foi introduzido na Albânia e tem vindo a expandir a sua distribuição geográfica a partir daí, neste momento já está em Espanha”, afirma Teresa Novo. Salienta também o facto de já terem ocorrido epidemias de febre-amarela em Portugal devido ao Aedes aegytpi, daí a importância de analisar os mosquitos e a sua presença e localização no país, de forma a prever possíveis situações que afectem a população.

Neste momento, estamos também a viver uma situação de alterações a nível climático, demográfico, formas de uso do solo e movimentações de pessoas, tanto para dentro do país como para fora. Todas estas situações podem promover alterações à distribuição dos mosquitos e eventualmente causar implicações na epidemiologia de doenças cujos agentes patogénicos já são transmitidos neste momento em Portugal. “Se nós estivermos à partida conscientes das alterações que estão a surgir, podemos estar mais rapidamente preparados no caso de haver alguma situação mais complicada e agir da melhor forma, implementando medidas de controlo”, reforça a professora.

Para o sucesso do MosquitoWeb é necessário que as pessoas participem enviando os mosquitos que encontram no seu dia-a-dia, tanto em casa como noutros locais, uma vez que o objectivo é conseguir cobrir a maior área geográfica possível. A adesão das pessoas tem sido boa. No entanto, Teresa Novo afirma que tem de haver uma aposta maior na divulgação para chegar a mais pessoas. “A faixa etária activa não está propriamente disponível para ver programas televisivos durante as horas normais de trabalho, mas também já foram feitas outras diligências, nomeadamente através de artigos em jornais”.

Até agora o Instituto já recebeu cerca de 130 envios, mas apenas 62 foram mosquitos, os outros foram outras espécies de insectos confundidos com mosquitos. “A proporção de exemplares que nos chegam que não são mosquitos ainda é um bocadinho elevada”, diz a professora. Uma forma de distinguir os mosquitos de outros insectos é através do seu aparelho bocal picador-sugador, um estilete que têm na cabeça, facilmente visível.

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Nos últimos meses “notou-se claramente um efeito Zika, as pessoas tem receio da epidemia”, refere Teresa Novo. “Chegaram alguns mosquitos ao instituto mesmo com a referência ‘será que este pode ser o mosquito do zika?’”. Contudo, não há razões para alarme em termos de território continental, uma vez que não temos o vector necessário à propagação do zika.

A professora convida toda a população a participar e a divulgar o projecto: “Não é uma questão científica, é uma questão de saúde a nível nacional que nos afecta a todos obviamente, por isso temos que estar um bocadinho à frente dos mosquitos, para podermos evitar situações mais complicadas”.

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Sobre o/a autor/a

Catarina Figueiredo de Jesus adora fotografia. Está actualmente a licenciar-se em ciências da comunicação na FCSH e ambiciona estar ligada ao mundo do marketing e publicidade. É apaixonada por moda e gostaria de ter uma carreira que lhe permitisse juntar tudo o que mais gosta, fotografia, moda e viagens.

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