Voleibol no feminino: a NOVA aposta

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Quando o apito soa no pavilhão do Estádio Universitário de Lisboa, o ambiente torna-se simultaneamente de concentração e descontração. O primeiro serviço é feito e todas as jogadoras da equipa de voleibol da FCSH/NOVA, que se apresentaram ao treino, esforçam-se para obter o maior número de pontos. À aparente rivalidade, junta-se o companheirismo de quem deseja que a equipa melhore a cada treino, numa constante troca de dicas e frases de incentivo gritadas para campo.

É exatamente de forma positiva que Stefanie Wacek, aluna de terceiro ano em Ciências da Comunicação na FCSH/NOVA, caracteriza os treinos de equipa. “O ambiente dos treinos é sempre tranquilo e divertido, sem grande pressão ou algo do género”, conta Stefanie. “Já faço parte da equipa desde o início da minha licenciatura, em 2013, e foi este ambiente descontraído que me foi conquistando”, explica. A atleta já praticava desporto na sua terra natal, Portimão, e quando chegou a Lisboa sentiu que não podia parar. Foi nesse momento que descobriu a paixão pelo voleibol: “Praticava canoagem antes de vir estudar para Lisboa e quando cá cheguei queria continuar a fazer algum desporto. Uma amiga minha que já fazia vólei há mais tempo soube que havia uma equipa na faculdade e convenceu-me a experimentar. Apesar de nunca ter feito um desporto de equipa e de bola, acabei por gostar e ficar na equipa”, conclui Stefanie.

Stefanie Wacek junta-se a muitos outros adeptos que o desporto universitário tem conquistado ao longo do tempo. São milhares os alunos federados e não federados que praticam regularmente desporto em contexto universitário, vestindo a camisola pela Faculdade ou Instituto Superior que frequentam. Na capital, a Associação Desportiva do Ensino Superior de Lisboa (ADESL) conta com sete modalidades nas quais os alunos universitários se podem inscrever, sendo que cinco delas se encontram divididas em equipas para cada um dos sexos.

O aumento do interesse e adesão ao desporto por parte dos alunos universitários às modalidades que lhes são oferecidas deve-se, em grande parte, ao incentivo de colegas de faculdade que praticam ou já praticaram algum desporto. Como destaca Bruno Morais, treinador da equipa feminina de voleibol da FCSH/NOVA, “chegam cada mais atletas ou ex-atletas às faculdades e isso tem vindo a ajudar a aumentar o número de participantes no desporto universitário”. No que ao voleibol feminino diz respeito, a ADESL já conta com vinte e uma equipas de faculdades e institutos superiores que fazem parte da Primeira Divisão desportiva, e das quais três são equipas de faculdades da Universidade Nova de Lisboa. De facto, as alunas da NOVA têm conquistado o seu lugar nos rankings dos campeonatos universitários de voleibol. A equipa de voleibol feminina da Faculdade de Ciências e Tecnologias (FCT), da Faculdade de Economia (NovaSBE) e da FCSH tem registado resultados positivos, alcançando posições meritórias nos campeonatos de primeira divisão, nomeadamente o título de campeãs no campeonato de 2012-2013 pela NovaSBE, em 2005-2006 e 2010-2011 pela FCT e o título de vice-campeãs da segunda divisão no campeonato de 2014-2015 pela FCSH, o melhor campeonato da equipa até à data, conseguindo ascender à primeira divisão.

Margarida Reis é uma atleta federada em voleibol que, a partir do segundo ano da sua licenciatura na NovaSBE, decidiu tirar algum do seu tempo para integrar também na equipa de voleibol da faculdade onde estuda. “Jogo voleibol a nível profissional há muito tempo, por isso foi interessante para mim integrar a equipa da minha faculdade. Apesar de não ter possibilidade de frequentar os treinos universitários, por integrar uma equipa federada que treina todos os dias, acho a equipa bastante esforçada, treinam bastante e notou-se uma evolução técnica ao longo do ano”, relata a atleta.

Apesar da paixão pelo desporto, o último campeonato universitário (2015-2016) não correu da melhor forma para nenhuma das equipas femininas de voleibol da NOVA. A equipa da FCT alcançou o sexto lugar na tabela de classificação, conseguindo manter a sua posição na primeira divisão. Porém, para Cláudia Silva, jogadora da referida equipa, a classificação ficou aquém da esperada: “O último campeonato universitário foi a pior prestação da equipa até à data. Nos anos anteriores a equipa conseguiu apurar-se para o Campeonato Nacional Universitário ou, quando isso não aconteceu, tinha uma presença assídua nas fases finais do Campeonato Universitário de Lisboa”. Na época anterior, a equipa feminina de voleibol da FCT conseguiu até colocar-se entre a quinta e oitava posição a nível nacional.

Já as equipas da NovaSBE e da FCSH acabaram mesmo por descer de divisão no último campeonato universitário, na sequência de terem ficado, respetivamente, no penúltimo e último lugar da tabela de classificação. Com uma única vitória da sua equipa no último campeonato, Bruno Morais considera que “faltou da parte de muitas atletas algum compromisso, algo que dificultou o treino enquanto equipa e que comprometeu o seu entrosamento”. Segundo o treinador, em termos de jogo a maior fraqueza da equipa está na finalização: “As jogadoras já defendem relativamente bem, recebem bem também. A passadora é muito boa mas falta à equipa ser mais incisiva na hora de acabar”.

Também António Coelho, treinador da equipa de voleibol feminino da NovaSBE, relembra o motivo que provocou a descida de divisão. “Mesmo com uma vitória no último jogo acabámos por descer de divisão.  A falta de comparência durante o campeonato foi o desastre. Se não tivesse ocorrido tínhamos ficado na primeira divisão”, lamenta António.

O treinador reconhece as boas qualidades técnicas que as jogadoras da equipa da Nova SBE têm a nível individual. No entanto, a falta de comparência aos treinos poderá ser, no parecer do treinador, o maior problema que a equipa enfrenta, com implicações diretas e prejudiciais nos jogos. Segundo António Coelho, “o problema é a falta de vontade de ir aos treinos, e nos jogos nota-se a falta de comunicação”. O facto de os treinos serem sempre marcados à noite é, na opinião do treinador, o que leva as alunas a faltarem tanto.

Esta falta de comparência aos treinos não é um problema apenas da equipa feminina de voleibol da NovaSBE. Também Stefanie aponta este facto como um dos pontos mais negativos da equipa. Desde que a equipa está na primeira divisão tem direito a três treinos por semana, “mas a maior parte das vezes isso não acontece por falta de presença nossa, ou porque o pavilhão está ocupado por jogos de outras equipas e modalidades”, refere a atleta, acrescentando que a presença nos treinos “não é uma prioridade para a maioria”. Outro dos problemas que Stefanie verifica na sua equipa é a constante troca de jogadoras: “Durante os três anos em que jogo pela faculdade a equipa tem estado em constante mudança. As pessoas vêm, desistem, voltam, acabam o curso, vão de Erasmus…”. As constantes mudanças de atletas na equipa já lhe custou a perda de algumas jogadoras federadas que davam um grande contributo à equipa, bem como a perda de outras boas jogadoras que já praticavam o desporto antes de entrarem para a faculdade.

Apesar dos problemas que a equipa vai enfrentando, Bruno Morais destaca que ainda assim existe na maioria das jogadoras, além das qualidades técnicas, uma “qualidade muito interessante que é a atitude, o querer, a garra”. É o desenvolvimento desta atitude de determinação que faz com que a prática de desporto, nomeadamente em contexto universitário, proporcione aos estudantes “experiências enriquecedoras e um crescimento pessoal”, como destaca Stefanie Wacek. O facto de os alunos integrarem uma equipa, de trabalharem em grupo, de se comprometerem a comparecer a treinos e jogos, bem como toda a pressão sentida durante os jogos oficiais em campeonatos, leva a um maior “espírito de equipa e espírito de entreajuda, e desenvolve o saber conciliar responsabilidades e tempo”, salienta Cláudia Silva.

Não se trata só, portanto, de praticar um desporto de equipa que enriquece a experiência universitária, permitindo aos estudantes “conhecer imensas pessoas e criar novas amizades”, como refere Margarida Reis. Também se torna numa experiência que possibilita também uma maior preparação para momentos futuros da vida quotidiana em que se tenha de “lidar com pressão e tomadas de decisão rápidas”, tal como defende a aluna de Economia. Também António Coelho é da opinião que ao longo de todo o processo académico não se aprende só a ler livros: “É preciso algo mais e o desporto em equipa é a peça do puzzle que falta.  Os alunos aprendem a trabalhar unidos e acredito que saem daqui futuros líderes”.

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