ManuscriPT: Instituto de Estudos Medievais da FCSH/NOVA cria plataforma online de manuscritos iluminados

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Quatro investigadores do Grupo de Investigação Imagens, Textos e Representações estão a desenvolver um catálogo online com fichas científicas de manuscritos iluminados digitalizados pela Biblioteca Nacional de Portugal e pela Biblioteca da Ajuda.

A iniciativa é do Instituto de Estudos Medievais (IEM) da FCSH/NOVA e consiste em disponibilizar numa plataforma online, o ManuscriPT, fichas científicas de manuscritos iluminados e o respetivo link para a sua digitalização.

As digitalizações são cortesia da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) e da Biblioteca da Ajuda (BA) e o público-alvo são os investigadores que estejam a estudar a proveniência do manuscrito, o tipo de decoração, ou mesmo a sua encadernação.

Catarina Fernandes Barreira é uma das coordenadoras do projeto. Segundo a investigadora, são 14 as digitalizações da BNP e da BA que, no total, virão a ser disponibilizadas nos próximos tempos. Porém, ressalva que o IEM está aberto à colaboração de todas as instituições do país que tenham à sua guarda manuscritos iluminados, desde que “possuam a digitalização dos mesmos”.

Luís Campos Ribeiro, mestre e licenciado em História da Arte pela FCSH/NOVA, Ana Lemos, doutoranda em História da Arte pela mesma faculdade, e Maria Conceição Casanova, professora auxiliar no Departamento de Conservação e Restauro da FCT/NOVA, são também coordenadores do projeto.

De acordo com Luís C. Ribeiro, este trabalho pretende apoiar os estudos sobre manuscritos tanto de investigadores portugueses, como de estrangeiros. Aliás, o site está já disponível em inglês e, em breve, estará também em francês.

O autor do site confirma que o objetivo é que o material venha a ser reconhecido a nível internacional: “O interesse é que esta informação se internacionalize. Muitos destes manuscritos, para se perceber melhor esta ideia da internacionalização, são de origem estrangeira. Para quem esteja a estudar essas coleções, interessa por vezes ter este conteúdo online para perceber que há versões desses manuscritos cá”. Ainda assim, não está prevista a tradução das fichas científicas dos manuscritos, “por ser mais complicado”, explica.

Catarina F. Barreira assegura, no entanto, que “a ficha pretende ser um instrumento universal”, desenhado de forma a ser inteligível para qualquer investigador, independentemente da língua que fale. Embora o conteúdo da ficha esteja em português, “os campos encontram-se em português, inglês e francês, pelo que se percebe imediatamente do que se está a falar”.

A ficha está estruturada em quatro campos: “o conteúdo textual do manuscrito, a sua materialidade (a decoração iluminada, a encadernação, etc.), a bibliografia publicada sobre o mesmo e ainda a indicação de como citá-lo”, elucida Catarina F. Barreira. Antes disso, é feita a introdução do manuscrito com uma imagem e um resumo, bem como algumas informações sobre a sua proveniência ou o local onde foi copiado, e por quem.

“Investigação pura e dura”

Sobre o surgimento do projeto, Catarina F. Barreira refere que “este não é um acontecimento isolado”.

Tudo começou entre Março de 2013 e Outubro de 2014. Na altura, ocorreu, na BNP, um ciclo de seminários mensais, também organizado pelo IEM, chamado “Um Mês. Um Códice Iluminado”. Seguiu-se, quatro anos depois, a publicação do e-book “Luz, Cor e Ouro. Estudos sobre Manuscritos Iluminados”, que resultou do ciclo de seminários.

Atualmente, o ManuscriPT procura conjugar os dois acontecimentos anteriores, desenvolvendo a informação acerca dos manuscritos estudados.

Catarina F. Barreira esclarece que cada projeto foi idealizado para públicos distintos. “A primeira atividade foi pensada para o público em geral, o livro foi colocado num território inbetween, e a base de dados, então, é mesmo uma coisa de investigação pura e dura. Portanto, uma mesma ideia teve aqui três maneiras de ser executada, para públicos diferentes, o que era também um bocadinho o nosso objetivo”, conclui.

Para o desenvolvimento do ManuscriPT, a equipa responsável teve de ser alargada. “Precisava de pelo menos mais historiadores de arte, como é o caso do Luís [C. Ribeiro] e da Ana Lemos. A Conceição Casanova também é historiadora de arte, mas é uma especialista em encadernações”, afirma Catarina F. Barreira.

Conceição Casanova, docente no Departamento de Conservação e Restauro da FCT/NOVA e investigadora nos Museus da Universidade de Lisboa, é responsável pela componente estrutural e física dos manuscritos, como clarifica Luís C. Ribeiro: “O estudo da encadernação, que tem uma análise mais característica das ciências exatas, é um estudo de especialista que é provido pelo Departamento de Conservação e Restauro. Nós, IEM, estamos a fazer o estudo do ponto de vista da História da Arte.”

Luís C. Ribeiro e Catarina F. Barreira acreditam que o ManuscriPT será importante para Portugal, pois virá facilitar o trabalho dos estudiosos, através da disponibilização dos dados em acesso aberto.

A investigadora lembra que o nosso país possui materiais muito bons, sendo até reconhecidos pelos pares internacionais. Contudo, carecem de investigação. “Os catálogos que temos ou são catálogos antigos e desatualizados, ou são catálogos que, apesar de possuírem alguma informação significativa, em alguns aspetos são pouco descritivos”, aponta.

Pode aceder ao site aqui.

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Sobre o/a autor/a

Até aos 14 anos quis ser engenheiro, porém sempre que ligava a televisão sintonizava nos canais noticiosos. Agora que quero mesmo ser jornalista, algumas das pessoas que me conhecem estranham, pois dizem que não sou de muitas palavras. Por outro lado, há quem refira que, quando falo, falo para dizer o mais assertado. Com o jornalismo acredito que vá ser parecido. Primeiro porque o jornalista não tem voz, mas sim dá voz. Depois porque é preciso saber comunicar o essencial, contribuindo para informar verdadeiramente o público.

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