Basquetebol feminino: os voos da equipa da NOVA

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O que une a equipa de basquetebol feminino da NOVA? O desporto do seu coração e a camisola que representam, o que por si só não é suficiente. O espírito de grupo e a união entre as jogadoras juntam-se à exigência do treinador para formar a essência da equipa: a ambição de alcançar mais e melhor.

O treino da equipa de basquetebol feminino da NOVA começa às 21 horas de quinta-feira mas, meia hora antes, já há bastante movimento à porta do pavilhão número um do Estádio Universitário de Lisboa. Muitos atletas entram e saem do espaço, uns visivelmente cansados, outros em grupos a pôr a conversa em dia.

Allison White é a primeira a chegar da equipa da NOVA. Tem 23 anos e é oriunda dos Estados Unidos da América. Entrou na equipa quando esteve em Erasmus na FCSH/NOVA e voltou a Portugal no ano passado para o mestrado em Gestão na Nova SBE. Com o seu sotaque americano, conta que voltou também à equipa por considerar que é “uma grande experiência”.

Segundo a coordenadora Joana Fialho, presente no projeto desde o seu início, a equipa surgiu há cinco anos por iniciativa da FCT/NOVA, mas logo na primeira época o grupo expandiu-se para outras unidades orgânicas da NOVA. Por aqui já passaram mais de 40 atletas, mas como é que chegam à equipa? Este é um trabalho de todas as jogadoras, que procuram outras colegas que estejam interessadas, assim como do Gabinete de Desporto, que “aproveita as semanas de receção aos novos alunos para juntar o máximo de atletas possível”, explica Joana.

O ambiente de descontração entre toda a equipa é visível desde o momento em que se cumprimentam. Ao entrar no pavilhão confirmam-se as difíceis condições de treino que o treinador João Fonseca refere: “Neste momento estamos a treinar em meio campo de meio campo oficial”. A equipa treina em metade de um dos dois campos laterais existentes no pavilhão, com marcações não oficiais e que são bastante mais pequenos que o campo central oficial, onde decorre um jogo de futsal masculino.

O treino começa ligeiramente atrasado devido à ocupação dos campos por outras equipas, mas às 21 horas João Fonseca já dá indicações às sete jogadoras presentes com recurso a um quadro tático. Sara Fialho tem 19 anos, estuda Bioquímica na FCT/NOVA e afirma que normalmente são entre 9 a 12 jogadoras a treinar, uma vez que as restantes que constituem a equipa treinam nos clubes a que pertencem. A maioria viu neste grupo uma oportunidade para continuar a praticar basquetebol depois da entrada na Universidade.

Com um forte ruído de fundo provocado pelo público que assiste nas bancadas à partida de futsal e, mais próximo, ouvindo-se até o longo choro de um bebé, o treino começa com alguns lançamentos ao cesto e trocas de bola entre as jogadoras. Fazem-se sprints, fintas e dribles e os obstáculos a contornar são dois caixotes do lixo.

O bom ambiente e a exigência dos treinos

“Os treinos são divertidos”, diz Sara Camacho, estudante do primeiro ano de Ciências da Comunicação na FCSH/NOVA. Contudo, a exigência está sempre presente: “Quando temos de trabalhar, trabalhamos mesmo bastante, mas temos um ambiente super tranquilo e é exigente mas ao mesmo tempo há aquele ambiente mesmo saudável”.

“Vamos!” e “Bora!” são palavras de incentivo muito utilizadas pelo treinador ao longo do treino. João Fonseca quer ver mais e melhor e alerta para o próximo jogo que será frente à Faculdade de Motricidade Humana, uma equipa a quem “tem sido difícil, muito difícil conseguir ganhar”. Jogam-se as meias-finais do Campeonato Universitário de Lisboa e o objetivo é conseguir o acesso ao Campeonato Nacional. A equipa viria a perder por 40-53 no dia 21 de março, não atingindo a meta pretendida.

A propósito de resultados, “têm sido dentro do esperado” mas, a nível nacional, “as equipas do Norte são, sem dúvida alguma, muito mais fortes do que as Universidades de Lisboa”. Porquê? Estas equipas “levam o desporto universitário muito mais a sério”, explica o treinador.

O treino continua com exercícios de transição entre defesa e ataque, o treinador corrige as movimentações e, por vezes, traduzem-se algumas explicações para que Allison entenda melhor o que se pretende. A norte-americana conta que, por ser de um país diferente, “tem sido muito bom fazer parte da equipa”, o que lhe permite fazer muitos amigos, “não só de Portugal mas também outras pessoas que estão cá a fazer Erasmus”. Desta forma, sente que pode “pedir ajuda para qualquer coisa que precise”. “Nem todas jogamos o mesmo nível mas ajudamo-nos umas às outras e divertimo-nos”, acrescenta Sara Fialho.

Às 21h40 é tempo de pausa para beber água. Porém, tal não serve como momento para descansar e, logo de seguida, começam exercícios com bloqueios e sistema de defesa por zona. O treinador movimenta-se bastante, faz várias demonstrações e exemplifica um bloqueio que arrasta a defesa de maneira a surgir um espaço vazio para atacar.

A importância do trabalho de equipa

A entreajuda é uma forte marca do grupo, sublinham as jogadoras. “Trabalho de equipa, sem dúvida alguma” é o que Sara Camacho retira desta experiência para a sua vida. “Levei uma cabeçada e fiquei com o lábio mesmo inchado e vieram todas ajudar-me e depois tiveram a preocupação de falar comigo e isso acontece com todas”, conta Sara sobre o treino anterior, destacando que este espírito de união e amizade está sempre presente.

Simultaneamente, na outra metade do campo treina também uma equipa feminina de basquetebol. Às 22h10 começa um jogo entre as duas equipas com cinco jogadoras de cada lado. Sente-se um ambiente de competitividade e o treinador da NOVA exige mais comunicação entre as atletas. Agora num pavilhão um pouco menos ruidoso, João Fonseca insiste: “Não inventem!”. Dez minutos depois solicita uma paragem para dar indicações às suas jogadoras. Não está satisfeito.

Às 22h30 termina a partida e o treinador acaba a explicar aquilo que (não) quer ver a nível tático. No mesmo campo começa a ser preparada a rede para o treino de voleibol masculino que se segue, mas antes ainda se ouve em uníssono: “1, 2, 3, NOVA!”.

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Sobre o/a autor/a

Nasci em Lisboa mas o meu coração é também de Almada, onde sempre vivi. A preferência pela leitura e pela escrita levou-me a escolher Ciências da Comunicação, que estudo na FCSH-UNL. Ambiciono ser jornalista e estou sempre a par do que se passa no mundo do desporto, especialmente no futebol, mas a minha curiosidade e vontade de descobrir o que há de novo abrange os mais diversos setores. Viajar, fotografar, cozinhar (e, sinceramente, comer) são outras das minhas grandes paixões.

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