TransFlexTeg: um novo conceito de janelas inteligentes

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O projeto TransFlexTeg, liderado pelo UNINOVA da FCT/NOVA e financiado pelo programa Horizonte 2020, desenvolve dispositivos para aplicação em janelas que irão permitir não só uma significativa poupança de energia como a transmissão de diferentes informações sobre o espaço envolvente.

O UNINOVA – Instituto de Desenvolvimento de Novas Tecnologias da FCT/NOVA lidera o projeto TransFlexTeg, que desenvolve dispositivos termoelétricos transparentes de película fina para aplicações flexíveis com grande área, particularmente em janelas.

A ideia para este projeto surgiu em 2014, momento em que foi submetida a candidatura ao programa europeu de apoio à ciência e inovação Horizonte 2020. Garantido o apoio dos fundos europeus, encarado como fundamental para o desenvolvimento da ideia, começou o trabalho juntamente com os restantes parceiros europeus: Finlândia, Irlanda, Bélgica, França e Itália. “É um consórcio grande e envolve diferentes componentes: há um parceiro que desenvolve as tintas, outro que desenvolve a eletrónica, outro que faz a simulação e, portanto, sem este conjunto de pessoas seria muito difícil”, afirma Isabel Ferreira, coordenadora do projeto.

O principal objetivo desta nova tecnologia “é fazer algum aproveitamento de um gradiente térmico que existe sempre entre a parte de fora e a parte interior numa janela”, explica Isabel Ferreira. Uma vez que uma janela é um sistema passivo dentro de casa ou de qualquer outro edifício, o que se pretende é dar-lhe alguma funcionalidade: “neste caso, aproveitar a energia térmica e convertê-la em energia elétrica”, segundo a coordenadora. Esta tecnologia irá permitir a redução em mais de 25% do consumo de energia elétrica em edifícios residenciais e de escritórios.

Janelas inteligentes e multifuncionais

Além disso, com estas películas, as janelas tornam-se inteligentes e multifuncionais, passando a ter características ativas e capacidade para medir parâmetros ambientais. Uma das componentes da janela, refere a responsável, é um touch detector que pode ter a funcionalidade de indicar qual a temperatura da sala ou do espaço envolvente. Poderá também reconhecer, através do toque, uma mão ou outro objeto. Existem ainda uma série de sensores incorporados, como sensores de dióxido de carbono e de humidade, que irão fornecer dados recolhidos automaticamente e que podem ser utilizados no controlo de sistemas de aquecimento, arrefecimento e ventilação interior através de ligação à internet.

Isabel Ferreira conta que, supostamente, o projeto acaba em janeiro de 2018, mas irá ser pedido um prolongamento do prazo devido a alguns problemas que surgiram. “Tivemos algumas dificuldades mas são dificuldades tecnológicas. A empresa que fez os termoelétricos em grande área teve que desenvolver um sistema de propósito, portanto demorou algum tempo.” Outro problema foi a necessidade do UNINOVA comprar um sistema específico, cuja aquisição demorou “quase seis meses, depois a empresa ainda atrasou mais seis meses e houve aqui um delay”.

Neste último ano do projeto, o objetivo final “é desenvolver protótipos nas dimensões de 30, 40 centímetros no máximo que demonstrem a tecnologia”. Caso a extensão do prazo não seja concedida, a coordenadora desdramatiza: “em vez de ficarmos com um demonstrador de 20 por 40 ficamos com um pequenino”.

Quanto à responsabilidade de coordenação deste projeto, Isabel Ferreira confessa que as dificuldade são muitas. “Tem muitos aspetos burocráticos e isso dificulta muito, perdemos muito tempo com burocracias”. Em junho de 2015, numa conferência TEDxFCTUNL, destacou: “Compromisso e inovação são duas palavras que me definem como pessoa e a maneira de eu estar na vida”. O trabalho de equipa tem-se desenvolvido com outros quatro investigadores a trabalhar no UNINOVA e em breve os resultados poderão estar presentes na janela mais próxima.

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Sobre o/a autor/a

Nasci em Lisboa mas o meu coração é também de Almada, onde sempre vivi. A preferência pela leitura e pela escrita levou-me a escolher Ciências da Comunicação, que estudo na FCSH-UNL. Ambiciono ser jornalista e estou sempre a par do que se passa no mundo do desporto, especialmente no futebol, mas a minha curiosidade e vontade de descobrir o que há de novo abrange os mais diversos setores. Viajar, fotografar, cozinhar (e, sinceramente, comer) são outras das minhas grandes paixões.

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