Projeto inovador da FCT/NOVA desenvolve alternativa ecológica sustentável

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O investigador e professor Pedro Barquinha da FCT/NOVA pretende criar uma alternativa ecológica e sustentável às tecnologias já utilizadas com um projeto que envolve alunos e profissionais da instituição.

TREND (Transparent and flexible electronics with embedded energy harvesting based on oxide nanowire devices) é o nome do projeto que pretende criar uma plataforma alternativa, transparente, flexível e autónoma que poderá permitir, por exemplo, substituir um smartphone por uma folha fina com as mesmas funções. Esta poderá ser enrolada e guardada em qualquer lado, sem precisar de ser carregada, pois armazena energia com o seu próprio movimento.

Segundo o investigador Pedro Barquinha, os materiais explorados no projeto são à base de misturas de óxidos de zinco, estanho, índio e bário, que à microescala em que são trabalhados revelam ter diversas propriedades, podendo ser aplicados, atualmente, em diversas áreas como em mostradores, desde televisores lcds a smartphones, mas também para a captação e armazenamento de energia, bem como para processamento de informação.

O coordenador do projeto revela que ao alterar a estrutura destes materiais inovadores à nano escala se consegue explorar a multifuncionalidade dos mesmos:podemos ter, por exemplo, um material a funcionar como semicondutor, portanto, o coração de um dispositivo eletrónico, ou a funcionar como armazenador de energia”. Explica também que a geração de energia é possível devido ao efeito piezoelétrico, ou seja, vibrações no meio ambiente, como o próprio refletir da folha no qual se encontra a plataforma com estes componentes. “Não estou a dizer que em cinco anos será possível alimentar um computador inteiro, mas fica a demonstração da técnica para isso.”

A plataforma eletrónica vai também potenciar estudos nos campos da medicina e da engenharia aeroespacial, sobretudo a análise celular não intrusiva e a resistência dos materiais às radiações x e ionizantes. Devido à diversidade de aplicações, foi atribuído ao projeto uma bolsa financiada pelo European Research Council durante cinco anos.

Envolvimento dos estudantes no projeto

O projeto está aberto a estudantes e bolseiros da faculdade, além das pessoas contratadas, integrando-se nos programas dos mestrados e doutoramentos, possibilitando a aprendizagem de competências sobre projetos atuais, como constatou o coordenador da investigação: “Temos muitos alunos de mestrado envolvidos que tem de fazer um trabalho de investigação durante quatro a seis meses em laboratório no último semestre do curso e alguns dos temas são precisamente integrados nos projetos que temos em mãos”.

O objetivo é despertar o espírito crítico dos alunos, sendo que pequenas partes do projeto são trabalhadas também por alunos de licenciatura, que ajudam a dar pequenos passos nesta investigação e noutros projetos. Temos programas entre o primeiro e o segundo semestre de terceiro ano, em que estão aqui connosco duas ou três semanas a fazer trabalho de laboratório e depois apresentam um relatório com base nisso. E eu tento incutir-lhes esse espírito: vocês estão a desenvolver esta pequenina parte.”

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Sobre o/a autor/a

Natural da Ilha da Madeira e estuda Ciências da Comunicação na FCSH. Colaborou na revista The Blue Magazine, juntamente com colegas e escreve no seu Blog Escrita e Paixão na plataforma Wordpress.

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