Investigadores do ITQB/NOVA no combate às doenças infeciosas e à resistência a antibióticos

0

Nos próximos 3 anos, um novo projeto científico tem como objetivo encontrar soluções para os problemas relacionados com a resistência a antibióticos e as doenças infeciosas, algo cada vez mais recorrente à escala nacional e mundial.

Investigadores do ITQB NOVA, do Instituto de Medicina Molecular (IMM) e do Instituto Gulbenkian da Ciência (IGC) querem combater a resistência a antibióticos e ajudar a prevenir e controlar as doenças infeciosas a nível hospitalar, no âmbito do projeto ONEIDA, que arrancou no início deste ano na região de Lisboa.

Este projeto baseia-se num trabalho conjunto realizado entre os referidos centros de investigação e alguns hospitais da região de Lisboa. Aqui, os institutos científicos têm a responsabilidade de identificar as bactérias responsáveis pelas doenças existentes nos diversos hospitais englobados pelo projeto, através da sequenciação do genoma das bactérias. Segundo Mónica Serrano, investigadora do ITQB NOVA e uma das coordenadoras do projeto (em conjunto com Raquel Sá-Leão, também investigadora do mesmo instituto), “o genoma é praticamente o bilhete de identidade da bactéria; aí temos toda a informação sobre a bactéria que está no hospital”. Essa etapa do processo permitirá identificar quais as estirpes presentes nos hospitais, bem como perceber “se a fonte da infeção está dentro do hospital, ou se está fora”, sustenta a cientista.

Através desta identificação será possível fazer um melhor controlo das infeções, “um dos problemas reais dos hospitais”, refere. Isto porque, caso a infeção tenha surgido dentro do hospital, torna-se necessário fazer uma maior prevenção dentro dele, mas se “o problema não for do hospital, tem de ser feita uma maior vigilância na entrada”, afirma.

O combate à resistência a antibióticos

Mónica Serrano reforça ainda a importância deste projeto para o combate à resistência desenvolvida pelas bactérias aos antibióticos, um problema cada vez mais recorrente no mundo, apresentando o sul da Europa, onde se inclui Portugal, como um caso emblemático nesse aspeto.

Esta resistência é causada pela administração excessiva e inadequada de antibióticos. “Muitas das bactérias que andam por aí são naturalmente resistentes aos antibióticos”, afirma a investigadora. Nesses casos, a administração de antibióticos vai apenas eliminar todas as bactérias que não são resistentes, desenvolvendo-se aquelas que são resistentes. “Todas estas bactérias já têm alguma resistência associada e esse é o problema, portanto já estamos no limite do que há disponível para o tratamento de doenças provocadas por este tipo de bactérias”, refere Mónica Serrano.

Desta forma, a chamada investigação fundamental, pesquisa laboratorial desenvolvida pelos institutos ao longo do projeto, poderá tornar-se, no futuro, importante para o desenvolvimento de novos medicamentos para combater estas doenças.

O projeto elaborado contempla ainda a comunicação e partilha de conhecimentos não apenas entre os intervenientes diretos da pesquisa, mas procurando um envolvimento social abrangente. Para a cientista, é importante “informar o público do que foi feito e passar para os hospitais esse conhecimento”.

O projeto, que se encontra ainda numa fase embrionária e que terá uma duração de três anos, foi possibilitado por uma confluência de fatores, incluindo uma oportunidade de financiamento no valor de 2,5 milhões de euros ligada ao Portugal 2020, programa que reúne a atuação dos cinco Fundos Europeus Estruturais e de Investimento (FEDER), a disponibilidade das três instituições para colaborarem entre si e com os hospitais, bem como, segundo a especialista, o “know how” dos investigadores nas suas diferentes áreas de estudo.

Partilhe.

Sobre o/a autor/a

Envie uma resposta

Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.