A religião também sabe ir de férias

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 13 estudantes da FCSH/NOVA que se identificam como um grupo de amigos formado na Missão País encontram-se atualmente a preparar um campo de férias para aproximadamente 50 jovens, a decorrer entre 8 e 15 de julho. As licenciaturas que escolheram tirar nesta faculdade proporcionaram-lhes um encontro que marcará para sempre os seus percursos universitários.

“Apercebemo-nos de que uma missão não dura uma semana, mas sim uma vida inteira. Neste sentido, surgiu o projeto CETÁCEOS 2017, um Campo de Férias na Paróquia da Atouguia da Baleia para jovens entre os 13 e 17 anos”, explica Marta Costa, aluna de Ciência Política e Relações Internacionais.

A Missão País FCSH é “um projeto católico universitário de voluntariado que consiste em passar uma semana numa comunidade em Portugal” e leva os seus participantes a envolverem-se “em escolas, lares e paróquia locais”, acrescenta. Ligados a uma componente católica, o grupo de jovens missionários muda-se por uma semana para uma comunidade. Com sentido de missão, estes estudantes moldam-se ao contexto que os recebe e envolvem-se em projetos de voluntariado com os habitantes locais com quem criam ligações afetivas.

Em 2017, a semana de Missão em que estes universitários participaram foi passada na Comunidade da Atouguia da Baleia, perto de Peniche. O contacto que estabeleceram com os habitantes desta terra comoveu-os.

Assim, com o intuito de aprofundar os laços criados em terras vizinhas de Peniche, estes estudantes da FCSH/NOVA tomaram a iniciativa de criar um campo de férias para os jovens com quem contactaram naquela semana.

Margarida Galvão Carvajal, missionária e estudante de Ciências da Comunicação, tenta explicar a relação que os voluntários estabeleceram com os jovens. “Estivemos uma semana inteira na escola e o último dia de Missão calhou ser no fim de semana. Ainda assim, houve miúdos que saíram de casa e foram ao local onde nós estávamos a dormir para se despedirem. Estavam a chorar, disseram-nos que iam ter imensas saudades nossas, pediram-nos para voltar. Como dizer que não a um pedido destes? Esta ideia surgiu naturalmente. Tenho a certeza de que muitos deles nos consideram irmãos mais velhos, que olham para nós como um exemplo. Isto, vindo de miúdos que ‘viveram’ connosco durante tão pouco tempo, é muito gratificante e motivador.”

Mostrar que os católicos não são extraterrestres

O mote estava dado. Agora, o plano é proporcionar a esta meia centena de jovens um verão diferente, num local diferente. A Quinta de Maciel, na aldeia de Paio Pires (a 20 quilómetros de Lisboa), foi o local escolhido para o decorrer do campo. Com o objetivo de desmistificar a ideia de que a Igreja Católica é algo entediante e rígido, os missionários vão abordar de uma forma moderna algo tão tradicional e milenar como a religião católica através de atividades radicais e jogos em grupo.

“A ideia é mostrarmos que nós, católicos, não somos uns extraterrestres. Somos pessoas normais, como eles, que gostamos de nos divertir, que sabemos fazer palhaçadas. Queremos que eles estejam à vontade, que se divirtam connosco, mas que também percebam a mensagem que queremos passar”, explica Francisco Espiñeira, missionário de Línguas Literaturas e Culturas. Embora tenha sido graças à Missão País que estes jovens dedicados se conheceram e estabeleceram uma grande empatia por uma comunidade que outrora desconheciam, o projeto CETÁCEOS pretende emergir sob a mesma ótica religiosa, mas independente das Missões País.

Sendo o sentido de missão o seu ponto de partida, estes estudantes reúnem em si o empenho e a determinação necessários para levar a cabo este projeto ambicioso, que só acreditam estar a ser possível “porque, por detrás de toda a logística que envolve o campo, somos muito amigos uns dos outros”, defende Margarida.

Marta. António. Maria Beatriz. Baltasar. Rita. Manuel. Leonor. José. Margarida. 2 Joanas e 2 Franciscos. São estes os nomes dos 13 missionários que querem marcar o verão dos jovens da Comunidade da Atouguia da Baleia. Para muitos, o número 13 é associado ao azar e agoira mau presságio. Com outros, passa-se exatamente o contrário. Para os jovens criadores do campo CETÁCEOS, o desejo é que este número ponha a sorte do seu lado e que, futuramente, 13 seja apenas a quantificação inicial dos criadores deste projeto, que pretendem que um dia os transcenda.

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