Antropólogo português a caminho do Saara

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Francisco Freire, investigador do Centro em Rede de Investigação em Antrolopologia (CRIA) da FCSH/NOVA, ganhou no ano passado uma bolsa ERC de 1,2 milhões de euros. Conta-nos agora o que esperar deste projeto de “alto risco”.

Após terminar o pós-doutoramento, Francisco Freire passou por um período difícil na sua carreira quando se viu de caras com o desemprego. Ponderando emigrar, o investigador acabou por ter a sorte a bater-lhe à porta quando o seu projeto, anteriormente recusado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), foi aprovado pelo European Research Council (ERC), com uma “Starting Grant” de 1,2 milhões de euros.

Francisco Freire explicou-nos em que consiste o seu projeto intitulado Critical Approaches to Politics, Social Activism, and Islamic Militancy in the Western Saharan Region (Mauritania, Western Sahara, Southern Morocco), e o que podemos esperar do mesmo. “Na zona oeste Saariana, desde o Sul de Marrocos até aos limites do Rio Senegal, há uma população que se encontra hoje dispersa entre três países: o Reino de Marrocos, República Islâmica da Mauritânia e o chamado Saara Ocidental. O meu projeto consiste em perceber de que forma é que essa população, que partilha os mesmos quadros sociais e culturais, se relaciona atualmente com o Estado, num contexto de conflito latente no Saara Ocidental.”

O investigador demonstrou desde cedo uma forte apetência pelas regiões em estudo. “Sempre me senti confortável e interessado nesses universos. É um interesse teórico, mas o sentimento e o interesse da pessoa em trabalhar essa área também é importante.

O investigador explicou ainda as dificuldades que uma investigação nestas zonas acarreta. “É uma zona muito sensível, sobretudo na zona do Saara Ocidental, onde há muita conflitualidade, e no interior da Mauritânia, onde existem as questões do radicalismo islâmico, o que dificulta as deslocações da equipa.” Esta está, por isso, limitada a certas zonas, uma vez que o perímetro de segurança não permite viajar livremente por toda a região.

Apesar dessas dificuldades, Francisco Freire garante que fará o que está planeado dentro das condições possíveis. A investigação, que começou em abril e que terá a duração de 48 meses, conta com uma equipa constituída por 13 investigadores, dividida em quatro grupos consoante as áreas sob investigação.

“A bolsa é em antropologia, mas vou incorporar investigadores de história, ciência politica e possivelmente de economia, o que fornecerá um conhecimento geral e multidisciplinar sobre esta região alargada”, clarificou.

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