EBIMed: alunos da FCT criam soluções para problemas hospitalares

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Um braço otimizado de cadeiras de rodas para pacientes pós AVC é apenas um dos projetos que alunos de Engenharia Biomédica da FCT/NOVA estão a desenvolver, conciliando a ciência e a engenharia para resolver problemas da medicina.

Em abril de 2016, uma simples conversa deu origem a um novo projeto, a EBIMed. Filipe Valadas, José Trindade, Hugo Santos, Pedro Ferreira e Pedro Torcato, alunos de Engenharia Biomédica da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa (FCT/NOVA), queriam encontrar uma forma de não só proporcionar aos alunos do curso a oportunidade de contactar com o mercado de trabalho, mas também de afirmar e desenvolver a área da Engenharia Biomédica, que, em Portugal, é ainda pouco explorada e pouco conhecida fora do meio académico.

A EBIMed (Engenharia Biomédica, Inovação em Medicina) é uma associação de estudantes universitários, sem fins lucrativos e de natureza privada, com sede na FCT/NOVA, na Costa da Caparica. Também designada por júnior empresa de Engenharia Biomédica, uma vez que é completamente gerida por alunos, tem como principal objetivo encontrar soluções e inovações para problemas da Medicina, mais especificamente em hospitais ou em centros de saúde. Desta forma, dá aos alunos a oportunidade de participarem no desenvolvimento dos projetos de baixo custo para estas entidades, com quem contactam diretamente, garantindo uma simbiose entre o meio académico e o meio empresarial.

«Os alunos de Engenharia Biomédica têm aqui na EBIMed a oportunidade de integrar equipas de trabalho multidisciplinares e de resolver projetos na área das tecnologias da saúde. Paralelamente, também recebem formação em diversas áreas, fortalecendo as competências que vão adquirindo ao longo do curso e tornando-os assim mais atrativos para o mercado de trabalho», afirma Filipe Valadas, aluno de quinto ano de Engenharia Biomédica da FCT/NOVA e presidente da EBIMed.

Pedro Horta, responsável pela parte de marketing e comunicação da júnior empresa, e Mariana Pereira, responsável pela parte de networking e relações institucionais, ambos alunos de terceiro ano de Engenharia Biomédica, explicam que «há muitas saídas nas áreas mais gerais de engenharia. A área da biomédica é mais limitada e, por isso, achámos que podíamos fazer alguma coisa para valorizar mais os alunos da NOVA.»

O trabalho e os intervenientes

A EBIMed começa por contactar hospitais, centros de saúde e faculdades de medicina, procurando falhas que possam existir tanto a nível de equipamento como a nível de gestão nestas entidades. Em equipa, os membros da direção tentam encontrar uma solução, de onde nasce um projeto. Em seguida, voltam a entrar em contacto com a entidade para saber se esta aceita o projeto que os alunos delinearam.

Para se fazer parte da EBIMed, os alunos da FCT/NOVA só têm de se tornar associados, o que significa que têm a oportunidade de se candidatar aos projetos que serão iniciados.

Depois de serem aceites pelas entidades, os projetos são apresentados aos associados, através da abertura das candidaturas online. As fases seguintes são a constituição de equipas, a atribuição de trabalho e o desenvolvimento do projeto.

Para além do desenvolvimento dos projetos, a EBIMed fornece também aos seus associados formações, workshops, case studies, entre outros, que promovem o desenvolvimento de hard e soft skills.

Maria Inês Correia, também aluna de Engenharia Biomédica, mas do segundo ano, realizou um dos workshops. João Frazão, investigador da Fundação Champalimaud, que deu o workshop sobre robôs e neurociência, apresentou a teoria e a história da robótica na neurociência e depois dividiu os associados em grupos. Estes, através do código por detrás do funcionamento dos robôs, puderam explorar mudanças de comportamento destes, alterando fios dos aparelhos. «Este tipo de iniciativas é bastante importante, porque podemos adquirir competências, que não temos oportunidade de explorar durante o curso», comenta Maria Inês.

Projetos em desenvolvimento

Até à data, estão em curso seis projetos: um estimulador vibratório de fusos musculares, um braço otimizado de cadeiras de rodas para pacientes pós AVC, um programa de gestão e qualificação de trabalho hospitalar, um colete para monitorização de parâmetros vitais, um algómetro de pressão e um projeto para a monitorização da tosse.

Explicando um dos projetos, Filipe afirma que, em diálogo com médicos cardiologistas do Hospital das Forças Armadas, a júnior empresa tomou conhecimento da necessidade que o hospital sentia em ter «alguma espécie de dispositivo que fosse capaz de monitorizar parâmetros vitais em tempo real, permitindo, de alguma forma, obter informação sobre os estados de consciência, fadiga, insolação, entre outros.» Desta maneira, será possível «ajudar na prevenção de casos como os que aconteceram nas provas de comandos em anos anteriores», assegura. Após discussão com a direção, a júnior empresa avançou com uma proposta de projeto para a criação de um wearable, dispositivo utilizado para fazer rastreio de atividade, «sob a forma de colete que, munido de diversos sensores, poderá captar o sinal cardíaco, a temperatura corporal, a humidade da pele, a frequência respiratória, a posição e a postura». Desde novembro, Filipe e mais cinco associados estão a trabalhar neste projeto e a fase de prototipagem e integração da informação dos sensores começou há duas semanas.

Beatriz Norte, aluna de terceiro ano de Engenharia Biomédica, faz parte da equipa que está a trabalhar no estimulador vibratório de fusos musculares. «Apesar de já ter começado há algum tempo, o projeto em que estou envolvida está ainda numa fase inicial. Estamos ainda a trabalhar numa base muito teórica, a pesquisar e a tentar definir como vamos por em prática a ideia inicial.»

João Pedro Narciso, aluno do terceiro ano de Engenharia Biomédica e membro da equipa de trabalho que está a desenvolver o braço otimizado de cadeiras de rodas para pacientes pós AVC, revela que o projeto está ainda no início. «Já pensámos na melhor maneira de o braço permitir todos os movimentos que a clínica deseja e já temos um esboço. A próxima fase é fazer um protótipo em miniatura, para ver se tudo está como planeado.» Se assim for, segue para fabrico. João Pedro confessa que de início demorou algum tempo a apurar a ideia: «os encontros eram sobretudo passados a discutir mecanismos e maneiras de pôr o braço a funcionar. Só no mês passado é que ficámos com a ideia definitiva.»

Ganhar experiência do «mundo real»

Para João Pedro, o principal contributo da EBIMed é ter a noção de como é a vida de engenheiro num projeto a sério. «Construir algo de raiz por vezes é complicado e conjugar as diferentes sensibilidades e horários dos membros da equipa para idealizar um produto também não é tarefa fácil.»

Beatriz conta que se inscreveu na júnior empresa porque queria não só começar a por em prática os conhecimentos que tem vindo a adquirir ao longo do curso, mas porque queria também saber como pegar numa ideia e pô-la em prática.

«É muito bom ter a oportunidade de estar a desenvolver um produto com pessoas da minha idade que ainda estão a aprender. A nossa inexperiência no “mundo real” é evidente, às vezes temos dúvidas muito próprias de quem está a começar», confessa João Pedro. Maria Inês concorda e acrescenta: «Estar inserida neste tipo de projetos é bastante enriquecedor e prepara-nos para a nossa vida profissional.»

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Sobre o/a autor/a

Estuda Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Adora ler e escrever. Quer ser jornalista.

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