Investigadores da NOVA pioneiros na revolução do papel

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Baixar os custos de produção, promover a sustentabilidade ambiental e fortalecer os mecanismos de segurança de documentos digitais são alguns dos objetivos dos cientistas da NOVA/FCT do campo da engenharia dos materiais que, diariamente, procuram desenvolver novas aplicações do papel na sociedade.

Foi em 2008 que Elvira Fortunato mostrou ao mundo que o papel era muito mais do que um simples material composto por elementos fibrosos. A sua descoberta demonstrou que as possibilidades de aplicações do material eram múltiplas, dependendo apenas de uma fértil imaginação, pesquisas e, claro, financiamento. Hoje, nove anos mais tarde, o Centro de Investigação dos Materiais (CENIMAT) e o Centro de Excelência em Microeletrónica, Optoeletrónica e Processos (CEMOP) continuam a investir no acessível, ecológico e banal material: o papel.

Situado no campus da Faculdade de Ciências e Tecnologia, com um número significativo de laboratórios altamente equipados, o CEMOP tem como principal função executar projetos. Rodrigo Martins, fundador e diretor, sublinha que este centro de investigação “só pode funcionar desde que se preste um serviço à comunidade”. Erguido com o apoio da Reitoria da Universidade Nova e da Câmara Municipal de Almada, o que começou como uma equipa de cinco tornou-se num grande grupo de 58 investigadores. Em comum, partilham o pensamento inovador e criativo, que tem concretizado o objetivo de “tornar a imaginação real”.

O CEMOP estabelece uma relação “simbiótica” com o CENIMAT. Este último, destinado à discussão científica, funciona como uma “incubadora de ideias”. A sua direção está nas mãos de Elvira Fortunato desde o ano de 1998. Com o passar do tempo, o prestígio conquistado proporcionou reconhecimento internacional a ambos os centros. “Temos das melhores infraestruturas mundiais”, refere Rodrigo Martins, ao considerar esta uma condição necessária para uma investigação bem sucedida.

“Papel secreto” para garantir bem estar e segurança

As linhas orientadoras destes cientistas da NOVA/FCT dizem respeito à eletrónica transparente e ao papel eletrónico. Segundo a descrição de Rodrigo Martins, estes dois ramos de atividade laboratorial “transformam o próprio conforto e bem estar das pessoas.” A tecnologia que tem por base materiais transparentes, desenvolvida dentro das paredes do CENIMAT, marca a sua presença nos mostradores da Samsung, o que reforça a importância das descobertas portuguesas.

Já no âmbito das inovações papeleiras, há um projeto a destacar designado de Papel Secreto, que pretende “incorporar no papel funções electrónicas que permitam garantir a segurança de produtos”, tal como frisa o diretor do CEMOP.

“Aquilo que vamos desenvolver é um sistema ergonómico, isto é, um identificador por documento com biliões de configurações.” Num mundo que caminha em direção ao digital, a equipa de investigadores coordenada por Rodrigo Martins procura assim encontrar uma solução para um problema social. Este projeto 100% português venceu em Dezembro de 2016 o prémio de inovação atribuído pela Associação Nacional Casa da Moeda, garantindo um financiamento extra de 450 mil euros.

Parcerias: dentro e fora de Portugal

O centro estabelece ainda ligações com outros estabelecimentos de investigação para facilitar a troca de informação. Em conjunto com a Universidade do Minho e a Universidade de Aveiro foi estabelecida em 2006 uma cooperativa para organizar e desenvolver projetos científicos em Portugal.

Ao nível europeu, o centro integra uma rede que visa promover a deslocação e formação de alunos de mestrado e doutoramento, das quais fazem parte três instituições âncora: a Universidade de Cambridge, a Universidade de Dresden e a VTT, centro de pesquisa finlandês. O CEMOP, braço armado do CENIMAT, é também uma das instituições ligadas ao BET-EU. Financiado pelo programa Horizonte 2020, o projeto europeu tem como principal objectivo a estimulação da indústria papeleira, apostando na inovação do papel eletrónico, formando e conectando investigadores de diferentes centros.

Suportes financeiros como impulsionadores de desenvolvimento

“Alinhar o espírito criativo com as fontes de financiamento existentes.” Esta é a máxima que rege o diretor do centro, Rodrigo Martins. Sem investimento, não seria possível a concretização de projetos e a investigação de novos componentes. Das bolsas de estudo às chamadas “bolsas milionárias”, são vários os métodos de aplicação de capital. Dependendo do projeto, o financiamento pode chegar da Fundação de Ciência e Tecnologia e da Agência Nacional de Inovação a nível nacional, e do projeto Horizonte 2020 ao nível europeu.

No que toca ao sector privado, o centro conta ainda com o apoio de empresas, que disponibilizam fundos com o objetivo de financiar e concretizar projetos. Alguns exemplos deste tipo de parceiros são a Navigator, produtora e líder de papel nacional e internacional, a Imprensa Nacional – Casa da Moeda e a Merck, companhia especialista nas áreas de Farmacêutica e Química.

 Com a produção do papel inteligente, os investigadores do CEMOP ambicionam contribuir para o crescimento económico do país. McDonalds e Chronopost são apenas duas, entre muitas outras, das multinacionais interessadas em estabelecer associações com os autores do projeto. Espera-se que o chamado papel eletrónico seja essencial no fabrico e inovação das embalagens.

Rodrigo Martins pretende, tal como o próprio afirma, “não só ver a tecnologia, mas ver os impactos sociais.” Tendo em vista a necessidade de divulgação dos progressos alcançados no centro onde trabalha, o docente e investigador empenha-se na criação de uma escola de verão, que acolha alunos não só de ciências mas também da área de humanidades.

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