Anabela Mota Ribeiro: “Talvez tudo fique mais fácil se, na representação, pudermos ser quem somos”

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A NOVA Magazine entrevistou a jornalista Anabela Mota Ribeiro, licenciada e mestre em Filosofia pela FCSH, para conhecer melhor o que faz, o que já foi, é e vai sendo. Um percurso profissional preenchido que não se fez sem folhas em branco. Um caminho repleto de vozes que não abdicou de silêncios.

Desta vez, a entrevistadora é a entrevistada e o Jardim do Príncipe Real o pano de fundo. Conversa-se com Anabela Mota Ribeiro numa manhã de sol, num banco de madeira, à sombra. Nasceu em 1971 e mais de metade da sua vida pertence ao jornalismo. Uma carreira que deu os primeiros passos num programa infantil da Rádio Alto Douro e nas rádios piratas nas quais trabalhou, ainda adolescente. A estreia televisiva foi ao lado de Manuel Luís Goucha, na “Praça da Alegria”. Jornalista freelancer de vários jornais e revistas do país, foi autora e apresentadora do programa televisivo Curso de Cultura Geral, recentemente transmitido na RTP2.

Tantas vezes a entrevistadora, mas poucas a entrevistada. Sempre gostou mais de procurar as respostas do que dá-las?

Sem dúvida. É muito melhor perguntar do que responder e é muito mais fácil perguntar do que responder. Numa entrevista, o lugar central nunca é o do entrevistador, mas o do entrevistado. Trata-se de uma relação e, por isso, não se faz sem a confiança (implícita ou explícita) que se estabelece entre ambos. Todavia, há um terceiro elemento fundamental: aquele que vai consumir essa informação, resultante dessa relação a dois. O destinatário é aparentemente elidido, mas nunca o podemos perder de vista. As palavras do entrevistado devem ser vertidas, corretamente, pelo jornalista, para chegarem ao leitor, espetador ou ouvinte, tal como foram ditas. O entrevistador deve ser a garantia de que a informação é bem veiculada.

Enquanto género jornalístico, a entrevista dá-nos um acesso privilegiado ao entrevistado?

Tanto a entrevista, como a reportagem, apesar de serem géneros diferentes, permitem-nos aceder, de forma mais direta, ao entrevistado. Na entrevista, graças ao uso do discurso direto, temos a ilusão de que é um registo menos mediado, mas quando abrimos aspas numa reportagem, para citar o entrevistado, é como se estivéssemos a colocar um travessão para o discurso direto.

Com uma longa carreira jornalística, tem uma ideia de quantas entrevistas fez até hoje?

Não tenho uma ideia exata. A partir do momento em que disponibilizei todas as minhas entrevistas escritas no blogue, percebi que, no total, devem rondar as 700, só para suporte escrito – jornais e revistas. Para televisão, pensando que fiz muitos programas em que as entrevistas eram muito curtas, devem ser centenas e centenas. E em rádio, a mesma coisa. Torna-se mais difícil saber ao certo quando, em todos os meios de comunicação em que trabalhei, o que fiz mais foram entrevistas.

O que muda quando se entrevista alguém para rádio, televisão e imprensa?

Embora haja pressupostos que são sempre os mesmos – a curiosidade pelo outro, a importância de estabelecer a tal relação de confiança e todos os deveres jornalísticos a respeitar – fazer entrevistas em formatos diferentes não é a mesma coisa. Comecei na rádio, passei pela televisão e, depois, dediquei-me mais à imprensa. É muito importante ter consciência de quem vamos entrevistar, o que queremos apurar e a quem se destinará a informação. O tempo que temos para entrevistar alguém também é sempre uma condicionante porque é completamente diferente termos dez minutos ou uma hora para o fazer. Depois, o processo da edição é outro aspeto relevante porque podemos ter gravado uma hora e ter de reduzi-la a uma página ou, nos casos da rádio e televisão, a alguns minutos.

Como diz Clarice Lispector, é a “alegria de encontrar na figura exterior ecos da figura interna” um dos motivos que a faz gostar tanto de fazer entrevistas?

Sim, interpelo-me muito a partir do que os entrevistados dizem. Quando faço uma entrevista, as palavras do entrevistado ecoam em mim de uma certa maneira, mas tento, ao máximo, não me colocar na entrevista. Falamos de um processo íntimo porque o jornalista não se deve expor.Claro que se denuncia sempre um bocadinho através da forma como aborda o entrevistado, mas deve resguardar-se. Numa entrevista, o entrevistador não é o elemento central da relação e nunca falamos de uma relação de iguais. Entrevistado, entrevistador e destinatário são todos importantes, mas têm um estatuto diferente.

“Podemos admirar aquela pessoa em função do que ela faz, mas isso não tem a ver com o que ela é”

Por que razão distingue a estima da admiração pelos entrevistados?

Essa questão leva-nos a perguntar por que entrevistamos aquela pessoa e não outra. Na prática, na maior parte das vezes, porque ela ocupa um lugar proeminente em função daquilo que faz: um realizador que está a lançar um filme, um político que achamos importante ouvir por causa de uma situação específica… O que a pessoa faz e o que é não são a mesma coisa. De uma maneira muito esquemática, diria que a admiração e a estima correspondem a este “fazer” e “ser”. Ou seja, podemos admirar aquela pessoa em função do que ela faz, mas isso não tem a ver com o que ela é – as suas caraterísticas particulares, a sua personalidade. Posso estimar uma pessoa porque ela “é” bondosa, generosa, interessante e, essa pessoa não ter o brilho ou a graça no “fazer”, que me faça admirar o seu trabalho. Depois, há pessoas que são muito extraordinárias no seu trabalho, no desempenho das suas funções, mas que não têm a personalidade que faça delas, aos meus olhos, uma pessoa que estime.

Mas também pode acontecer estimar e admirar o entrevistado.

Sim, mas esta distinção é tão ou mais importante quando entrevistamos pessoas que admiramos. Podemos ficar um bocadinho embaciados por esta admiração e é preciso que o nosso entrevistado saia do pedestal. Claro, não deixar de o tratar respeitosamente, mas evitar uma admiração excessiva ou laivos de idolatria.

É com muitas leituras que se alimenta uma curiosidade sem preconceitos pelo outro?

A leitura foi e é fundamental para mim, mas não posso pôr de parte a observação. Recentemente, quando acabou o Curso de Cultura Geral e, no meu Facebook, fiz o exercício que propunha às pessoas que iam ao programa – fazer uma lista de 10 coisas marcantes na sua formação cultural – numa delas pus: escutar. Aprendi e aprendo muito a ouvir os outros nas entrevistas porque há, precisamente, um efeito de eco do qual falava Clarice Lispector, e interpelação em mim. Acho que isso é um poderoso instrumento de conhecimento, por isso, tudo aquilo que nos apura o ouvido – a leitura, o cinema, a observação, a viagem – é algo que devemos procurar.

Hoje lê-se muito e reflete-se pouco?

Estatisticamente, podemos dizer que nunca se publicou tanto como hoje, mas levantam-se muitas questões: a reputação dos livros, o tipo de publicação, etc. Gosto desta quantidade porque surge espaço para a existência de uma obra muito específica e com edição limitada, mas, ao mesmo tempo, também emergem obras massivas, que chegam a um grupo muito alargado de pessoas. Ainda que, muitas vezes, eleitores e leitores sejam desconsiderados, subestimados e que se ache que as pessoas não percebem (e, às vezes, estão, de facto, muito distraídas e parecem não perceber), acredito que há uma espécie de bom senso que surge em momentos cruciais. Portanto, as pessoas encontrarão os seus livros, descobrirão outros. E compram uns e acham que foi um mau negócio e um engodo; compram outros e dizem “Ai que bela descoberta”. Relativamente à reflexão, penso que não tenha tanto a ver com a leitura, mas mais com a forma como a informação é consumida: de forma muito fragmentada.

A crescente tendência para a superficialidade da informação é notória?

Sim e não. Há, sem dúvida, uma tendência para a superficialidade. No entanto, se nós quisermos, também temos disponíveis textos de 50 mil caracteres.

Estará o problema na procura?

Para procurar é preciso que as pessoas tenham instrumentos que as façam procurar e querer procurar. Nos jornais, tanto temos textos de 3 mil carateres, mas, ao fim-de-semana, e não só, textos de 30 mil. Penso que haja um consumo de cultura e informação muito mais interrompido. A velocidade é algo que domina os nossos dias: a velocidade com que circula a informação, com que acedemos uns aos outros, através da internet. O que não é a mesma coisa que dizer que o contacto uns com os outros seja maior… Mas, às vezes, sim.

“O jornalismo não é algo exorbitante na minha vida”

Costuma dizer que “Os caminhos têm caminhos. Escolhemos uns e somos escolhidos por outros.” Foi mais a Anabela que escolheu o jornalismo ou o jornalismo que a escolheu a si?

Não sei responder bem. Olhando para trás, não é nada estranho que o meu percurso tenha sido assim ou esteja a ser feito assim. Comecei a fazer rádio muito cedo. Ainda miúda, fiz um programa infantil da Rádio Alto Douro e, na minha adolescência, trabalhei em rádios piratas. Portanto, o jornalismo não é algo exorbitante na minha vida, no meu percurso. Apesar de, entretanto, poder ter aparecido outra coisa qualquer.

Não estudou Jornalismo. Queria ter escolhido História, mas seguiu Direito, apesar de ter desistido, pouco tempo depois, por não conseguir compatibilizar o curso com a rádio que estava a fazer, na altura. Mais tarde, decidiu estudar Filosofia, área em que fez licenciatura e mestrado na NOVA FCSH. Por que não Ciências da Comunicação?

Mais facilmente escolheria Estudos Portugueses do que Ciências da Comunicação. Penso que é fundamental ter uma ligação íntima com a língua na qual trabalhamos e que nos permite pensar, e achei que a filosofia me trazia isto. Por outro lado, o cruzamento de caminhos que procuro traduz-se num enriquecimento no meu modo de olhar, de perguntar, de viver. É certo que há uma parte de formação mais específica que perdi, por não ter estudado Ciências da Comunicação, mas talvez uma singularidade que ganhei ou aprofundei por estudar filosofia. Ou agora, no doutoramento, como aconteceu no mestrado, estar a estudar literatura, do ponto de vista filosófico. Estudo o escritor brasileiro, Machado de Assis, de que tanto gosto e, para mim, estranhamento é uma evidência porque me abre mais portas, me abre mais o mundo.

Há quatro anos, criou o seu blogue para disponibilizar e sistematizar o seu arquivo. Por que razão apostou num blogue pessoal e nas redes sociais só a partir de 2013?

Porque não gosto de máquinas. Essa é a primeira e simples resposta [risos]. Imaginava que fosse algo complicadíssimo do ponto de vista técnico. Pensava que me ia ocupar muito tempo e que não teria esse tempo para organizar minimamente o arquivo, ler centenas de coisas antes de as disponibilizar perante o público virtual. Mas também porque não era a minha forma de me relacionar com as pessoas…

Hoje, com uma presença assídua nas redes sociais, ganhou o gosto? Tornou-se algo importante?

Mais do que tudo, ganho a consciência da importância que é existir profissionalmente nessa plataforma. Faço uma gestão muito criteriosa em relação àquilo que disponibilizo e à forma como giro os conteúdos. Portanto, aquilo não é um recreio para mim. Mas também gosto. Não é uma coisa que me desconforte porque, se fosse, não estaria nas redes sociais.

Tendo em conta o diversificado mosaico de pessoas que já entrevistou, de várias áreas e gerações, há algum episódio que não esquece?

Agora estou um bocadinho parada nas entrevistas, mas, quando fazia muitas, o que gostava mais era de fascinar-me pela pessoa que tinha acabado de conhecer ou entrevistar. Que a entrevista me tomasse mais do que qualquer outra coisa, de ter um verdadeiro interesse por aquilo. Claro que isto nem sempre acontecia, porque há sempre pessoas que nos fascinam mais do que outras, apesar de tentar sempre que não existisse um desnível de entrega ou ao nível da formalidade. Houve, sem dúvida, pessoas excecionais que me marcaram muito como a Paula Rego ou a Agustina Bessa-Luís, deixando-me num estado de assombro permanente. Mas também gosto de pensar nas entrevistas marcantes a pessoas não tão conhecidas, das quais não esperava uma coisa tão extraordinária e, de repente, se revelaram espantosas.

Lembra-se de alguma em especial?

Por exemplo, a entrevista a um personagem de banda-desenhada, o Filipe Seems. Fiz esta entrevista, entrevistando os seus criadores, António Jorge Gonçalves e o Nuno Artur Silva, e eles respondiam enquanto Filipe Seems. Foi dos exercícios mais livres e malucos, mas também mais gratificantes, que fiz até hoje porque quando estamos a entrevistar alguém temos uma base factual, um princípio de verdade que norteia a entrevista. No entanto, quando estamos a entrevistar um personagem, estamos no domínio da ficção, a criar e a caminhar pelo desconhecido. Também me estou a lembrar de uma entrevista que fiz à Isabel Silvestre, a cantora dos cantares de Manhouce. Aquilo para mim foi um tratado de antropologia porque aprendi imenso sobre a vida da terra, a vida daquelas pessoas, o que é ser mulher. Foram entrevistas que me interessaram muito mais do que outras, a figuras consideradas poderosas, proeminentes.

A primeira vez que apareceu na televisão foi quando participou num Festival da Figueira da Foz, a cantar. A música era um caminho que gostava de ter seguido?

Se tivesse talento podia ter sido cantora. Gosto muito de cantar e de ouvir música, mas não canto o suficiente para ser cantora [risos].

“Tento sempre manter uma distância crítica em relação ao que sou e ao que faço”

Logo aí surgiu a noção de plateia. Pessoas a observarem o seu trabalho. Um público a agradar. A criação de expetativas e a atribuição de uma responsabilidade ao seu trabalho.

Sim, tudo isso. Por outro lado, é um músculo, é um treino que precisamos de exercitar muitas vezes. A ideia de estar perante uma plateia nunca é uma coisa banal e é uma coisa quase banal. Nunca é uma coisa banal porque tenho sempre essa noção de que há um dever meu, há uma expetativa relativamente à minha prestação e, portanto, tenho de ser rigorosa. Tento sempre manter uma distância crítica em relação ao que sou e ao que faço. Talvez seja mais aguda por causa dessa noção de plateia. No entanto, o facto de fazer isto há muito tempo também faz com que se transforme numa coisa quase banal. No sentido de ser constante.

Falando deste ser e parecer, no conto “O espelho”, Machado de Assis aborda o confronto entre a alma interna e a alma externa.

Esse é um dos grandes problemas do ser humano: quem é e a aparência de quem é, a maneira como somos connosco e a maneira como somos para fora, com os outros. O mais difícil é a equivalência, a correspondência, a proximidade entre o ser e o parecer.

A essência e a aparência coincidem sempre ou vão coincidindo pontualmente?

Há sempre uma disparidade entre quem somos dentro de nós e quem somos para fora. Idealmente, tentamos sempre diminuir esse atrito, para que não estejamos sempre “no papel”. Há uns tempos, tive um sonho que me impressionou muito em que eu estava em palco, numa peça de teatro, e não sabia o meu papel. Pus-me então a improvisar, tentando disfarçar. Acordei muito perturbada, mas depois achei que isto é uma síntese do que é a vida. Porque nós nunca sabemos o papel, estamos sempre a improvisar e nunca podemos voltar ao momento anterior e fazer de novo. Claro que, de certa forma, podemos: ao tentarmos melhorar, aperfeiçoarmo-nos, ser outros, evoluir. Mas nunca conseguimos ensaiar o papel de viver porque já estamos a viver. Então, o ser e o parecer também têm a ver com isto. Somos sempre pessoas que improvisam, tentam improvisar bem no palco e contam sempre com uma plateia, porque nós não somos ilhas (estamos sempre em relação com os outros). Talvez tudo fique mais fácil se, na representação, pudermos ser quem somos.

Que memórias guarda da sua infância, em Arco de Baúlhe?

Penso que foi importante aprender a ler e escrever com cinco anos – algo que também refiro na tal lista que fiz, no final do Curso de Cultura Geral. Mas também ter feito a primeira classe duas vezes. Fiz uma primeira vez, sem estar matriculada e, outra, já matriculada. Acho que me permitiu ter uma relação fácil, sustentada e sólida com a língua – leitura e escrita. Não pensava muito nisso, mas, nos últimos anos (não muitos), tenho tomado consciência do quão foi importante essa relação com a aprendizagem.

Face a derivas para o passado e para o futuro, normalmente, evita fazer grandes previsões.

Gosto de viver nos três tempos. O futuro interessa-me mais, como nos interessa a todos nós. O que nos interessa é o instante a seguir. Mas não faço grandes planos a longo prazo porque eles podem sair furados. No horizonte no qual existo e trabalho, já tenho a vida razoavelmente organizada até ao final do ano – o que quero fazer, aquilo que são projetos estruturantes. No entanto, daqui a 10 anos não tenho ideia.

Mas sempre foi uma pessoa com uma vida muito preenchida.

Sim, sim. Sou, sobretudo, uma pessoa muito organizada.

“Há uma propensão para a arqueologia, da qual não estou arredada”

Procura e gosta de ter muitas coisas para fazer ou é algo que vai surgindo mais naturalmente?

As duas coisas: procuro ter muitas coisas para fazer e umas chamam as outras. Sou uma pessoa que está habituada a fazer muitas coisas ao mesmo tempo, mas a relação com o passado também é importante. Não é só o presente e o futuro. Há uma necessidade de aprender e compreender. Há uma propensão para a arqueologia, da qual não estou arredada.

E o seu blogue surge como uma constante oportunidade de se revisitar.

Sim, mas não é uma coisa fácil porque nem sempre corre tudo bem. No entanto, precisamos de ter os pés bem assentes e isso não se faz sem olharmos para o passado. Não podemos é ficar presos no passado.

Sempre com vários trabalhos em rádio, televisão e imprensa. Olha para trás e raros são os momentos em que se viu sem nada para fazer?

Tendo sempre muito que fazer e procurado fazer várias coisas, também prezo bastante o vazio. Encontrarmos espaços de silêncio. Folhas em branco permitem-nos apontar noutras direções, ouvir outras coisas, seguir outros estímulos. E, às vezes, isso torna-se difícil. Por exemplo, este ano, estou envolvida em muitas coisas – umas já tornadas públicas e outras não. Por isso, torna-se mais complicado haver um recolhimento interior e ter esse espaço para não fazer nada, não ouvir nada, zerar a máquina. Caso contrário, estamos só cá fora, só a reagir.

E, estando vários anos afastada do ecrã, como foi o recente regresso à televisão com o Curso de Cultura Geral?

Tudo somado, estive dez anos sem fazer televisão. Mas não senti, propriamente, a necessidade de fazer durante esses anos de intervalo. Pensei este programa e apresentei-o à Teresa Paixão, diretora da RTP2. Ela gostou e fez-se. Para mim, era importante que fosse um programa que gostasse de fazer e ver. Não morro por fazer televisão e é, para mim, condição necessária sentir-me bem naquele formato. O programa foi gravado com uns meses de antecedência e emitido entre janeiro e abril deste ano. O que me surpreendeu foi a forma como tocou tantas pessoas e um público tão diversificado. Foi bonito, foi gratificante. Sobretudo, foi um programa que me permitiu aprender muito porque as pessoas falavam de coisas muito diferentes e, nas listas dos convidados, havia sempre coisas das quais nunca tinha ouvido falar.

O seu percurso profissional na televisão começou com a Praça da Alegria, apresentada com Manuel Luís Goucha, em 1995.

São mundos muito diferentes e, aparentemente, não comunicantes. O que leio nisto é que uma pessoa cresce e vai aprendendo a ser quem é. Era muito miúda quando comecei a fazer televisão e apresentei a Praça da Alegria. Aos poucos, fui encontrando o meu caminho, percebendo quem era pessoal e profissionalmente, o que me dava gosto fazer, o que podia fazer. Acho que isso é um processo natural e bom.

Esforça-se por falhar cada vez melhor?

Ah, sim. Falhar sempre, falhar cada vez melhor.

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Sobre o/a autor/a

Todos os dias são novas páginas da vida, prontas a serem escritas e permanentemente reescritas pela recordação e imaginação. A curiosidade e o sorriso são uma constante e a paixão pela natureza algo inato. Na busca de um amanhã mais sustentável, apresento-me como aspirante a jornalista ambiental que ambiciona dar voz e visibilidade a causas.

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