Rodrigo Guedes de Carvalho: “É a humanidade que define o jornalismo”

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Poder. Loucura. Humanidade. São três palavras essenciais para o bom jornalismo, mas que explicam ao mesmo tempo o labirinto em que se encontra. É a sentença do jornalista e romancista Rodrigo Guedes de Carvalho, que esteve na NOVA FCSH, na passada quinta-feira, 15 de março, a dar uma Masterclass.

«A palavra do jornalismo é a Humanidade, a Humanidade define o jornalismo» foi a frase mais enfatizada por Rodrigo Guedes de Carvalho, que defendeu de forma acérrima este lado humano da profissão, insurgindo-se contra a normatividade que caracteriza as empresas de comunicação social. “O jornalista é um cidadão, não tem de ser neutro e desprovido de paixão”, esclareceu, acrescentando que o jornalismo “tem de ter causas”.

Jornalista há 33 anos, 25 anos dos quais na SIC, Rodrigo Guedes de Carvalho foi também aluno do então curso de Comunicação Social da NOVA FCSH, entre 1983 e 1987. Jacinto Godinho, professor da NOVA FCSH e colega de curso, recordou na apresentação aquele rapaz grande, que apareceu no primeiro dia de aulas com uma tshirt dos Led Zeppelin. Nessa altura, o jornalista queria ser publicitário e foi uma sucessão de acasos que o levou ao jornalismo. “Deem importância aos acasos na vossa vida”, afirmou perante um auditório cheio de alunos da área.

O labirinto do jornalismo tomou novas proporções com a Internet. “O mundo explodiu na nossa cara”, afirmou num discurso pautado pela nostalgia. O impacto das redes sociais no jornalismo e a imposição do “já” levaram à formação de uma bola de neve “que ainda não parou”.

Talvez a solução para trazer mais humanidade ao jornalismo, combater a influência do poder e continuar a surpreender-se com as loucuras dos outros, aludindo a Donald Trump, sejam as “pessoas boas” “para que o jornalismo seja a locomotiva e não a carruagem”. “Uma pessoa boa faz um bom jornalista.”

A Masterclass “O jornalismo no seu labirinto” integra-se na iniciativa “40 Anos. 40 Masterclasses” da NOVA FCSH que traz ex-alunos à faculdade para falar sobre temas relacionados com a sua profissão.

 

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Sobre o/a autor/a

Francisco Carvalho

Até aos 15 anos quis ser futebolista, mas o jogo da vida trouxe-me uma nova paixão: o jornalismo. Hoje tento transportar toda a energia que tinha em campo para os meus projetos. Numa geração onde a banalização e a desvalorização da informação são recorrentes, quero mostrar a relevância do mundo jornalístico nesta sociedade que tanto me cativa.

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